sábado, 28 de novembro de 2009

QUEM LEMBRA DE LUZ MARINA?



Um dia desses, aqui mesmo em Brasília, quando eu estava sentado na minha poltrona favorita, meio dormindo, meio acordado, imagens de um tempo distante vieram-me tão vivas à memória que, até agora, não sei se sonhei ou se, de olhos abertos, recordei uma época que me foi cara. Uma lágrima furtiva que, discretamente, tive de enxugar me faz pensar que não foi sonho, mas sim a saudade que, naquela hora crepuscular, bateu no meu coração. Lembrei do tempo em que eu era criança e feliz, mesmo sem saber, porque as criança são felizes não o sabendo que são. 


Para mim, àquela época, o mundo  e a felicidade estavam resumidos à casa dos meus pais ("minha casa", porque toda criança é egoísta, também sem o saber)  e ao Recife ("minha cidade" e a de mais ninguém).  As lembranças que assomaram ao meu pensamento conseguiram transportar-me da poltrona em que estava para o  ano em que morreu um papa e escolheram outro, este, contrariamente ao predecessor, de rosto largo, olhar curioso, sorriso aberto e que, meio século depois, já ocupa os altares, como Bem-Aventurado.  

Fui transportado para o ano em que o Sport  ganhou o campeonato pernambucano de futebol, em que Hermeto Pascoal deixou o Recife e foi para o Rio de Janeiro e em que Hermilo Borba Filho fundou o Teatro Popular do Nordeste, o famoso TPN que, anos mais tarde, acolheu tantas paixões e seduções. As minhas lembranças voaram para 1958, ano do nascimento de Gil Vicente, que se tornou pintor e famoso e da inauguração do Aeroporto dos Guararapes, que passou a substituir o passeio que sempre fazíamos, aos domingos, ao cais do porto. 



Em 1958 os adolescentes  flertavam nos "Encontros de Brotos", tão ansiados por mim (só mais tarde é que os comecei frequentando) e Sônia Maria Campos foi eleita Miss Pernambuco. Nas minhas lembranças, senti na face a mesma brisa morna que nos afagava nas noites passadas no Clube Português, enquanto assistíamos à equipe de hóquei da casa  ganhar a quase todos os jogos, graças à destreza nos patins e nos tacos de Eninho, Breno, Bonga e Amílcar, este último, orgulhosamente, meu irmão.  Mas o que é que todas essas lembranças do ano de 1958 têm a ver com o título desta postagem? 

Quem lembra de Luz Marina? Será, apenas, uma cor de batom? 
Não sei se alguém lembra de Luz Marina, mas eu lembro e muito. Lembro tanto que fui transportado para o ano de 1958, quando ela, que hoje é uma sóbria e pacata senhora de 71 anos de idade, foi eleita Miss Universo. Luz  Marina Zuluaga foi selo na sua Colômbia natal, foi famosa, linda e, anos mais tarde, foi até mãe de uma misse com pouca sorte no concurso. Hoje, porém,  poucos, muito poucos, lembram desse nome, nem mesmo como cor de batom. Poucas, também, são as pessoas que recordam do ano de 1958, mais um no ciclo da vida e na contagem gregoriana. Efêmero tempo, efêmeras pessoas.


Ainda que ninguém mais lembre de Luz Marina, aposto que Adalgisa Colombo ainda lembra, e com uma pitada de mágoa, até hoje. Mas quem foi Adalgisa Colombo? Bom, assim é demais, deixemos a resposta para outra ocasião!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

CET APRÈS-MIDI, À BRUXELLES, MALGRÉ LE BEAU TEMPS, UNE VISITE AU MUSÉE MAGRITTE S'IMPOSAIT!

Em todo os lugares por onde passo, percebe-se que alguma coisa está mudando no clima. Chove muito, onde não chovia, faz calor demasiado nos lugares de clima temperado, frio em terras quentes, e por aí vai. Em Bruxelas, não é diferente. Hoje, 19 de Novembro, está um dia lindíssimo e as folhas ainda não começaram a cair das árvores. Tempo estranho para esta época do ano e, nesta cidade com tantos parques agradáveis, um dia assim é uma tentação para belos passeios ao ar livre. Esta postagem, entretanto,  não pretende discorrer sobre ecologia, nem sobre as trágicas mudanças climatéricas, nem, também, sobre os parques de Bruxelas, mas sim sobre a agitada vida cultural da capital da Bélgica e da União Europeia. 
 
Como quase sempre, estou aqui em missão oficial, portanto, com muito trabalho, o que torna um "tormento", abrir os cadernos de cultura dos jornais locais e  deparar, por exemplo, com um concerto da mezzo-soprano Cecília Bartoli com todos os ingressos esgotados e, ainda, com inúmeros espetáculos e exibições no âmbito da Europalia China.  Museus com peças raras chinesas, apresentações da ópera de Pequim e uma infinidade de outras atividades, ligadas à milenar arte chinesa. Como ir a a um deles, ao menos, se a entrada é feita com hora marcada e com a compra ocorrida dias antes daquele da visita? É, de fato, uma tortura sem ter como dela escapar. Não deu para ir à Europalia, ao menos desta vez.
Decidi, então, que iria visitar o novo Musée Magritte Museum (com a palavra "museu" em francês e em neerlandês, como se escreve tudo em Bruxelas)*. O museu foi aberto ao público em Junho deste ano. Magritte é belga, natural da província do Hainaut, na Valônia, mas passou quase toda a sua vida em Bruxelas, onde morreu. Desde os primeiros encontros com os surrealistas belgas, passando depois ao contacto com os surrealistas franceses, a obra de Magritte revolucionou a pintura de um largo período da primeira metade do século XX.


O novo museu, situado na Place Royale, ocupa um edifício com 2.500 m2, pertencente aos "Musées royaux des Beaux-Arts de Belgique" e possui um acervo de mais de 200 obras do artista, óleos sobre tela, guaches, desenhos, esculturas, objetos pintados, partituras musicais, fotos e filmes dirigidos por René Magritte, para o deleite dos apaixonados por arte e, principalmente, pelo trabalho do mestre belga. Passei toda a tarde de hoje, e teria passado muito mais tempo, admirando os céus enevoados, as maravilhosas pombas, as figuras e os objetos resultado duma criação surrealista na sua verdadeira acepção, como só ele foi capaz de produzir.


Mas o Musée Magritte Museum não é o unico local em Bruxelas dedicado ao artista, existe outro museu, pequeno, sem grandes pretensões, com um encanto que há muitos anos me seduz. Refiro-me à casa de Magritte, na Rua Esseghem, onde podemos apreciar com com calma outras obras que ele nos deixou, expostas num dos seus últimos endereços na cidade. A não perder, igualmente.  A magia de Magritte, a sutileza dos seus quadros são um eterno deleite para quem visita Bruxelas. Difícil não gostar muito de estar aqui .
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*Todas as fotos das pinturas de Magritte estão disponíveis na Internet.


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

DO CORDEL E DOS CORDELEIROS


Postagem nº 100 deste "Lugar do Souto".

Para celebrar
a centésima crônica (ou arremedo disso), levando em conta que o dia 19 de Novembro é o dia do cordeleiro, resolvi antecipar-me à data e discorrer sobre uma forma popular de literatura que sempre me atraiu e que está intimamente ligada à minha vivência no Recife, cidade onde nasci.

A literatura de cordel, ou apenas, o cordel, é um gênero literário popular com raízes nacionais no Nordeste brasileiro, mas que tem, em pequena
proporção, se estendido a outras regiões. As origens do cordel são incertas, muito provavelmente remontando à Idade Média provençal ou até mesmo mais distante no passado, à Antiguidade Clássica da Europa mediterrânea. O que é considerado como real é que foram os portugueses que trouxeram para Brasil o gosto por cantar em forma rimada (muitas vezes, ao desafio), narrando em tom jocoso e com forte crítica social certos fatos que tenham sido marcantes na comunidade de quem os cantava. Os panfletos eram colocados em cordeis e vendidos nas feiras, daí a propagação da expressão "literatura de cordel".

Sempre tive espírito de colecionador e, quando j
ovem, comecei adquirindo folhetos de cordel cujos títulos me chamavam a atenção. De início, mantive-os abertos e pendurados em um cordel mas, com o aumento dos livretos, transferi a coleção para algumas caixas de sapato que, ao meu ver, continuam sendo o melhor "esconderijo" para se guardar preciosidades. Na época da coleção, os que mais me interessavam eram os de aparência tosca e demonstrando simplicidade, quer nas gravuras, quer na qualidade do papel (eu tinha por hábito só adquirir os de pior qualidade), impressos tal como haviam sido escritos, com o português incorreto e descuidado. O cordel foi criado para ser cantado, não para ser lido, portanto, esqueçamos o bom vernáculo se queremos um bom cordel. Perdi a vontade de colecionar folhetos de cordel e eles foram relegados ao esquecimento.

Em Maio deste ano, quando postei uma crônica sobre o mesmo tema ("Cordel do Maquilador Milagreiro"), disse aos leitores que quando não tenho muito o que fazer procuro as preciosas caixas de sapato e tiro, ao acaso, um folheto para ler. Hoje, em um momento de preguiça literária, busquei um "folhetinho" bem antigo, quase destruído pelo tempo e, por incrível que pareça, sem identificação do autor, portanto "de autor desconhecido". A rima é da pior qualidade, a métrica não existe no poema e o nosso idioma está grafado tal qual o autor devia cantar nas feiras do interior de Pernambuco. Tentei lembrar onde e quando comprara o folheto de sugestivo título, mas não lembrei. Acho, mas não estou certo, que foi na cidade de Sertânia, na qual o meu pai tinha uma fazenda (Maxixe), que visitei nos idos da década de 1960. Seja como for, transcrevo apenas os primeiros versos, porque os demais são muito "picantes" para que sejam publicados neste blogue. As imagens que ilustram o texto não são do cordel publicado e foram retiradas da Internet.


Peço aos mestres linguistas que perdoem as absurdas incorreções gramaticais (concordância, regência, sintaxe, grafia e muito mais) do desconhecido autor, mas foi esse primitivismo que me atraiu, além, é claro, do tema da traição e do sofrimento dos personagens título. A quem tiver paciência de ler estes antigos e populares versos, peço que tentem imaginar o tema sendo cantado numa época distante nas noites mornas e de luar do sertão pernambucano.

"A triste história de Zefinha, Sevé e o bombeiro Mené *


Quando Zefinha os cinquenta festejô
Era solteira, muito falada e cheia de calô.

Nesse dia de festa, uma amiga da vida a Sevé lhe apresentô.
Sabida como ela só, ao fagueiro rapaz a Zefa logo encantô.
Sevé era puro, inocente e bonito, ademais, namoradô.
A pureza era tanta que na virgindade da
noiva ele sempre acreditô.
E com Zefinha, um mês depois, Sevé cum grande festa casô.



Mais de dez anos se passô
E
muito amô entre os dois rolô.
O puro Sevé de tudo tentô,
Pr'á de Zef
a tirá o fogo desoladô.
Mas Zefinha nasc
eu torta e com muitos outros ela sempre errô,
E Sevé, coitado, até de casa mudô,

Mas o fogo da Zefa nunca apagô.

O bom rapaz, cansado de tanto calô,

Resolveu na rua muié mió procurá.
Zefinha endoidô, pois depois que a idade chegô,
Home como Sevé ela num vai mais encontrá.
Sem sabê o que fazê, gemendo de tanta dô,
Até um mac
umbeiro a Zefinha procurô.
E, milagre do milagreiro, com ela de novo o bom Sevé deitô.

Mas o capeta, que às muiés pecadoras num cessa de atentá,
Na casa da vizinho um grande fogo pegô,
Só pr'á cu
m isso de novo o pecado pr'á Zefa mostrá.
No meio da correria, muita água rolô,
Pr'os bom
beiros valentes o grande fogo apagá.
Excitada que nem mariposa, Zefinha corria fingindo querê ajudá.
Abre torneira, pega balde, um corajoso bombeiro o belo colo dela muiô,
E, braba como ela só, a véia raivosa logo a gritá começô.
Pelos gritos e pelo fogo, o bombeiro Mené logo viu da Zefa se tratá.

Amô velho nunca foi de se esquecê,
E Mené foi chamado pr'um café mais ela tomá.
Café puxa conversa e o bombeiro Mené à véia voltô a encantá.
No meio do encantamento,
Quando Mené o fogo tentava
abaixá,
Em casa
chegô Sevé e, cego com a traição,
De Zefinha tudo quebrô.

E até Mené apanhô.

A história ainda é longa e o drama de Zefa num acabô,
Pois pr'á zona ela voltô e o bombeiro Mené na casa dela ficô.
A casa que foi de Zefinha hoje é hospedaria,

E o garboso Sevé, mais o fogoso Mené, lá recebe as Marias,
Que, no desespero, o grande fogo querem apagá.

A Zefinha de tudo tentô, pr'á com um dois reatá,
Mas de nada adiantô,

Já que o formoso Sevé e o bombeiro Mené
Cum ela num querem mais nada,
Nem mesmo o grande fogo apagá.

..........................................................."

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*Texto de ficção e sem direitos autorais. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

ESPERADA MARCIANITA


Nunca fui um bom cantor, antes pelo contrário, já que as "virtudes" musicais não fazem parte dos meus dotes artísticos (se é que eu os tenho). Apesar disso, segundo relato dos meus familiares mais velhos, desde que comecei a balbuciar as primeiras palavras, eu comecei a cantar... e muito... Reza a lenda, que eu ainda mal falava e já gorjeava uma canção de sucesso chamada "Chinês Patchouli", ou algo parecido (ao menos, era esse nome que eu cantava). Com o passar do tempo, tornei-me um incontrolável cantor de chuveiro. E daí? A quem isso pode interessar? Acho que a ninguém, só a mim e às minhas memórias. O tempo, porém, continuou sua marcha inexorável e, com a chegada do Outono da vida, não consigo decorar as letras das canções modernas mas, para o meu deleite, comecei relembrando das letras que havia decorado na infância ou na adolescência. Quero deixar bem claro que não estou relatando o aparecimento de nenhuma doença senil, mas sim descrevendo a falta de interesse que tenho pela maioria das canções que atualmente fazem sucesso.


Por falar em esquecimento, antes de continuar esta postagem gostaria de fazer um parêntese no tema e, de público, penitenciar-me por um dos mais trágicos lapsus mentii dos últimos anos. Esqueci, no passado dia 25, o aniversário do querido amigo Fernando Augusto. Perdão, Fernando, mas foi graças à marcianita, título desta postagem e tão esperada por nós, que lembrei a data do seu natalício:25 de Outubro e não 28, como eu achava. PARABÉNS atrasados.
Voltando às músicas antigas e ao cantar no chuveiro. Esta manhã, para minha surpresa, comecei, durante o banho, cantarolando uma canção que fez grande sucesso há cerca de cinquenta anos e que, acho eu, não tem nenhum predicado, nem como letra, nem como música: "Esperada Marcianita". Ressalte-se, porém, que mesmo sem ser nenhum primor de peça musical, ela já foi gravada por alguns dos ícones do nosso cancioneiro mais recente. De minha parte, eu devia ter 12 ou 13 anos quando, rapidamente, aprendi a letra de Sérgio Murilo (creio que a letra é dele), talvez pelo fato de que tudo relacionado com o "espaço sideral", com outros mundos, com o desconhecido, fosse alvo das minhas fantasias juvenis. Quando eu cantava em alta voz que "os homens de ciência me asseguravam que em dez anos mais eu e a fictícia marcianita estaríamos bem juntinhos nos cantos escuros do céu falando de amor", o que os meus sonhos de pré-adolescente imaginavam era que eu poderia sair da terra, que fugiria de um mundo futuro (que eu já previa não iria me agradar), que iria para um espaço desconhecido e que lá encontraria um amor de folhetim, fosse esse amor de Marte, de Vênus ou de outro lugar qualquer. Talvez, já naquele tempo, na Terra eu fosse logrado e em matéria de amor eu sempre fosse passado para trás...




Surpreendente, também, é o fato de a letra de "Esperada Marcianita" ser politicamente correta numa época em que essa correção não era exigida do comportamento social, pois o objeto do amor (no caso, a filha de Marte) poderia ser branca, negra, gorduchinha, magrinha, baixinha ou gigante que, mesmo assim, seria muito amada. Lembro de que, mais ou menos no mesmo tempo do sucesso dessa canção (1959 - 1960), outra música fez grande sucesso no carnaval do Recife, mesmo tendo uma letra tão incorreta politicamente que prefiro nem lembrar. Deletei.


Quantas e quantas noites, eu e o Fernando Augusto ficamos na janela dos nossos quartos (ele, no Espinheiro e eu, nas Graças) olhando aquela "estrela" avermelhada, que nem estrela é, suspirando por um broto de Marte, no meu caso, que não se pintasse, não fumasse, nem sequer soubesse o que era rock n' roll, pois sempre fui conservador, no dele, porém, o brotinho poderia fazer tudo isso, ter tatuagens e até usar piercing, visto que, desde a infância, o meu amigo espinheirense sempre foi "moderninho". Chegou o ano 1970, e a marcianita não veio. Deixa pr'á lá, 2070 não está tão longe assim e aí, quem sabe, o esperado brotinho de Marte, montado no rabo de um cometa, finalmente chegue para nós e, então, possamos ser felizes para sempre.


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

SUA ALTEZA IMPERIAL E REAL DOM LUIZ DE ORLÉANS E BRAGANÇA - CHEFE DA CASA IMPERIAL DO BRASIL




No intuito de tornar as figuras ilustres do nosso país conhecidas do maior número possível de leitores, o blogue "Lugar do Souto" transcreve, a seguir - com o devido respeito por sua Augusta Pessoa -, a biografia daquele que é, desde 1981, o Chefe da Casa Imperial do Brasil, S.A.I.R. Dom Luiz de Orléans e Bragança.


Quando se fala em monarquia no Brasil, há uma tendência em pensar numa forma de governo estranha ao continente americano. A monarquia, porém, já existe no nosso continente, visto ser esse o regime político do Canadá. No Caribe, inúmeras são as nações que adotam a Monarquia Constitucional como regime. Restaurar, portanto, o regime monarquista no Brasil seria unir na mesma forma de governo os dois gigantes do continente, um ao norte e o outro, ao sul. Na Europa, a monarquia é a forma constitucional de países como a Espanha, Mônaco, Reino Unido (Inglaterra, Escócia e País de Gales), Bélgica, Luxemburgo, Liechtenstein, Holanda, Dinamarca, Suécia e Noruega. Na Ásia, citamos, apenas, o Japão e a Tailândia, sem esquecer, porém, a Austrália e a Nova Zelândia, e, na África, alguns países adotam a monarquia como o seu regime. Não seria, portanto, nenhuma surpresa ou novidade pensarmos em um Brasil monarquista (ou monárquico).


Todos sabemos que a História não é feita de hipóteses nem de condições, o "se", portanto, não faz História. Consciente do afirmado, gostaria, entretanto, de indicar que se o golpe republicano não tivesse ido à frente e se as circunstâncias dinásticas tivessem sido as mesmas, o Brasil teria tido, desde a independência até hoje, apenas, cinco Chefes de Estado: Dom Pedro I, Dom Pedro II, Dona Isabel I, Dom Pedro III e, atualmente, Dom Luiz I. Por outro lado, lanço aos leitores a seguinte pergunta: "Quem consegue dizer, sem muito pensar, o nome de todos os presidentes da vigente república?"


Não se pode negar que nos últimos cento e vinte anos muitos ilustres brasileiros tiveram destaque em nossa história, alguns até como presidentes republicanos, mas a continuidade da monarquia não os teria tolhido em sua carreira e, sem dúvida, eles e elas ter-se-iam destacado da mesma maneira, provavelmente, chefiando vários dos nossos governos constitucionais. Tal como ocorreu na república, também na monarquia muitos teriam sido os governos legitima e democraticamente eleitos pelo povo, mas permaneceria a incólume pessoa do monarca simbolizando a Nação brasileira. O monarca, desde o nascimento preparado para exercer as suas funções, estaria livre de muitos dissabores que atingiram alguns presidentes da história do Brasil. Todos os brasileiros, indígenas, afrodescendentes, de origem europeia ou asiática seriam representados pelo monarca, que simbolizaria a todos e a cada um, e não apenas a uma parte da Nação.


Dom Luiz Gastão de Orleans e Bragança é hoje a alma viva da Nação brasileira, correndo em suas veias o mesmo sangue que corria nas veias dos nossos primeiros Imperadores - Dom Pedro I e Dona Leopoldina -, e dos seus descendentes diretos, que marcaram de modo tão benéfico e heróico a História brasileira nos primórdios da nacionalidade. Todo o cidadão brasileiro tem a obrigação de respeitar a Família que, por seus atos de amor à Pátria no passado e pela marcada presença na sociedade atual, é a melhor imagem da identidade do nosso querido Brasil.




A fidelidade da família do autor deste blogue à Família do Senhor Dom Luiz remonta, com comprovação documental, há cerca de cento e oitenta anos, quando o meu tetravô, Capitão Antonino Severo de Abreu e Vasconcellos, natural do Lugar do Souto, Lanhoso, Portugal, defendeu em armas - sendo por isso alvo de várias prisões políticas - os ideais do Rei Dom Pedro IV de Portugal, Imperador Dom Pedro I do Brasil, Tetravô do Chefe da Casa Imperial do Brasil, cuja biografia transcrevemos nesta postagem. É, pois, como súdito fiel, que discorro sobre tão Distinto e Augusto Senhor.






"Dom Luiz Gastão de Orléans e Bragança é filho do Príncipe Dom Pedro Henrique de Orléans e Bragança
(1909-1981), admirável figura de brasileiro, chefe de família exemplar e, entre 1922 e 1981, de Jure, Dom Pedro III; neto de Dom Luiz de Orléans e Bragança (1878-1921), bisneto da Princesa Isabel (de Jure, Dona Isabel I, de 1891 a 1922), trineto de Dom Pedro II, tetraneto de Dom Pedro I, remontando a sua ascendência a Dom Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, a Hugo Capeto, que ascendeu ao trono da França há mais de mil anos e a muitos outros Reis e Imperadores, que todos conhecem dos estudos históricos. Descende, ainda, de São Nuno de Santa Maria (o Santo Condestável), de São Luiz, Rei da França e de outros Santos da Igreja Católica.
Dom Luiz nasceu em Mandelieu, na França, em 6 de junho de 1938, tendo sido registrado como cidadão brasileiro no Consulado Geral do Brasil em Paris. Ao terminar a Segunda Guerra Mundial (1945), veio para o Brasil em companhia dos pais e irmãos já nascidos, fixando residência no Paraná e, em seguida, no Rio de Janeiro, onde realizou os estudos secundários. Aperfeiçoou o idioma francês em estudos pré-universitários na cidade de Paris e concluiu a Faculdade de Química em Munique, Alemanha. Em 1967 voltou ao Brasil, com residência em São Paulo, onde mora com o irmão, Dom Bertrand, Príncipe Imperial do Brasil*.


Dom Luiz fala fluentemente, além do português, o francês e o alemão, tem bons conhecimentos do castelhano, inglês e italiano e é detentor de uma sólida cultura, especialmente nos assuntos históricos e sociológicos. O Chefe da Casa Imperial do Brasil é um homem atualizado com os problemas nacionais e internacionais, estando cotidianamente informado, como compete a quem tem por direito tão alto cargo, das questões políticas do nosso país e do estrangeiro. Seguindo, porém, o exemplo do seu Augusto Pai, Dom Luiz não interfere nos debates de interesses e paixões das grandes forças que dominam, nos dias atuais, a cena político-partidária do Brasil. Dom Luiz mantém atualizada e profícua correspondência com todos os que a Ele se dirigem, discutindo e opinando sobre os mais diversos assuntos. É Grão-Mestre da Ordem da Rosa e da Ordem Dom Pedro I. Detém, ainda, a Grã-Cruz da Ordem Constantiniana de São Jorge, da Casa Real Bourbon-Sicílias.".
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"Príncipe Imperial" é o título do herdeiro ao Trono Imperial do Brasil.

sábado, 10 de outubro de 2009

EM AMSTERDAM, VISITAR O HERMITAGE E FAZER MUITO MAIS



Visitar Amesterdã (na correta grafia brasileira) ou Amesterdão (na forma lusitana) é sempre um prazer inusitado e a certeza de conviver com o inesperado. Antes de continuar este texto, gostaria de salientar que prefiro usar a grafia do nome da cidade em neerlandês (Amsterdam), pois não me parece que as duas formas (brasileira e portuguesa) combinem muito com o espírito da exótica urbe.

É incrível como uma cidade não muito grande em termos populacionais (menos de 800.000 habitantes na área central e adjacências) consegue surpreender pela convivência pacífica entre o muito tradicional e o extremamente liberal.
A origem do nome "Amsterdam" está no latim, ao que parece, na frase "Homines menentes apud Amestelledamme", que traduzindo significa "Homens que vivem próximo ao Amestelladamme." "Amestelledamme" significa dam (dique) do rio Amstel. Por seu lado, o nome "Amstel" é a junção de "ame" ("água") e "stelle" ("terra seca"). Muita complicação para uma cidade tão linda! O rio Amstel atravessa a cidade e é cortado por quatro grandes canais, os quais são cruzados por uma infinidade de canais menores. O rio e todos os canais, à beira do mar do Norte, fazem da cidade um cenário de sonho, ainda que bastante úmido. É pelo Amstel e pelos canais que circulam os turistas e os quase dois milhões de pessoas que constituem a grande Amsterdam.

A data considerada como a da fundação da cidade é 27 de ou
tubro de 1275, mas apenas em 1300 é que lhe foi concedido o direito oficial de cidade, tendo o seu florescimento se dado no decorrer do século XIV. No século XVII, Amsterdam era a cidade mais rica do mundo e, já àquela altura, uma das mais liberais. Se ela já era liberal há mais de trezentos anos, imaginem o que ela é em pleno século XXI...No domingo 27 de setembro voltei à capital holandesa e, como sempre, uni lazer e cultura, daquele jeito que só Amsterdam consegue unir.

O dia que
dediquei a Amsterdam em setembro passado foi curto para tudo o que eu pretendia rever, mas, mesmo assim, fiz muita coisa. Comecei indo à Missa na Igreja de São Pedro e São Paulo, um ambiente de tranquilidade em pleno coração da agitada Kalverstraat, em seguida, fui ao mercado das flores da Singel (rua às margens do Singelgracht) e depois almocei em um acolhedor restaurante do Keisersgracht. Antes de enfrentar a enorme fila para entrada no Hermitage, tomei uma cerveja na Rembrandtsplein e, após visitar o museu, fui namorar (se não de fato, ao menos em desejo) nas cercanias do Distrito da Luz Vermelha.

Hermitage em Amsterdam? Sim, é ele mesmo ou, ao menos, uma "sucursal" do original, que o governo da Rússia c
edeu ao povo holandês e que agora é o seu xodó. O museu, que fica em um maravilhoso edifício do século XVII, foi inaugurado em junho deste ano pelo presidente russo e por S.M. a Rainha Beatrix-Wilhelmina. Como é natural, o acervo em muito fica a dever ao do Hermitage de São Petersburgo, mas as exposições itinerantes e a beleza do próprio edifício tornam a visita obrigatória a quem for à cidade.

O domingo passado em Amsterdam foi enriquecedor e
cheio de saudosas lembranças de amigos muito queridos que lá moraram ou que lá já estiveram comigo. A partida desses amigos para uma dimensão superior fez com que eu rejeitasse voltar à cidade durante alguns anos. Mateus, Jan, Dirk, Adriano, Zé Mário, já não estão fisicamente entre nós, mas o espírito de cada um deles continua vivo, não só em nossos corações, mas também na alegria das ruas de Amsterdam, nas flores do mercado da Singel, no cheiro a batata frita, na água que corre por seus canais. Ir hoje a Amsterdam, além das tradicionais visitas aos museus já conhecidos e ao novo Hermitage, passou a ser para mim um rosário de penas que vou desfiando e que me faz mais nostálgico do que normalmente sou. Amsterdam, porém, continua viva e linda e a vida é para ser vivida e cantada, seja "Sous les ponts d'Amsterdam" (na voz de Brel), seja nas praças, nos bares, nas ruas. Amsterdam é hoje, também, o Hermitage, mas é mais do que ele, muito mais. É vida, é alegria, é amor, é passado, é presente e será futuro!


É até mesmo ver uma Olinda que não mais existe!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

YES, YOU DID IT AGAIN, PRESIDENT OBAMA

Que a PAZ seja conseguida com algo mais do que um amplo sorriso!


Esta manhã, o Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, voltou a marcar a sua presença na história da humanidade. O arrojado jovem político foi galardoado com o prêmio Nobel da Paz.
Deixando de lado apoios ou discordância, todos devem concordar que Barack Obama é algo de novo e inusitado na política norte-americana, trazendo, em consequência, esperanças de um porvir melhor para o mundo. O Presidente dos Estados-Unidos tem em suas mãos a possibilidade de levar a humanidade para novos conflitos ou a de pacificar os ânimos e conter os interesses internos e externos ao seu país. Com o prêmio Nobel da Paz, ou mesmo sem ele, esperemos que seja o caminho da paz que marque o seu governo.



O blogue Lugar do Souto une-se a todos que se empenham na árdua batalha da PAZ.

PARABÉNS PRESIDENTE OBAMA.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

PRONUNCIAMENTO DO CHEFE DA CASA IMPERIAL DO BRASIL DOM LUIZ DE ORLÉANS E BRAGANÇA





Em respeito aos ideais defendidos pelo blogue "Lugar do Souto", reproduzimos nesta postagem pronunciamento de lavratura e titularidade de S.A.I.R. Dom Luiz de Orléans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil e, para os monarquistas, Dom Luiz I, de Jure Imperador do Brasil.


Solicita-se, a quem estiver de acordo, a mais ampla divulgação do pronunciamento:







“BRASIL, 2009: para onde vamos?
Pronunciamento do Chefe da Casa Imperial

O transcurso recente do 7 de setembro e das comemorações da Semana da Pátria conduzem minhas reflexões para um dos mais importantes marcos de nossa História. Ao fazê-lo tenho em mente todos os brasileiros que, independentemente de seu credo político e de sua simpatia ou não pelo regime monárquico, de coração sincero buscam o bem do Brasil e se preocupam com seu destino.

O grande talento de Pedro Américo soube registrar para a posteridade o momento em que, às margens do Ipiranga, Dom Pedro I consumou nossa Independência.

O conjunto da cena pintada pelo eminente artista, o movimento que anima os diversos personagens, o colorido de toda a tela, transmitem-nos a relevância do momento e as promessas que pairavam sobre a nação que ali se firmava.

Esse momento histórico não esteve envolto nos estertores revolucionários que caracterizaram outros processos independentistas, nem pode ser visto como um momento de ruptura com nosso passado.

A Independência do Brasil, ainda que marcada mais proximamente por certas influências políticas controversas, foi, a bem dizer, o culminar de um longo processo de emancipação, conduzido com sabedoria por nossos monarcas, sem um planejamento dirigista, mas ao sabor das circunstâncias históricas.

Processo esse que, acelerado pelas guerras e revoluções que abalaram o Continente europeu, teve na transferência de D. João, Príncipe Regente e da Corte portuguesa para nossa terra, um momento decisivo para a definição da nacionalidade.

O Brasil independente que surgiu a 7 de setembro de 1822 era, pois, a continuação desse germinar social, cultural, político e econômico, iniciado mais de três séculos antes, fruto da operosidade e da fé da nação lusa.

A permanência da própria Dinastia, sua não derrocada ou substituição violenta, foram disso prova e, ao mesmo tempo, fator de estabilidade. Um dos legados mais preciosos desse processo histórico foi, por certo, nossa integridade territorial e nossa unidade social, em um tão vasto e tão diversificado território.

O Brasil tornou-se um Império, mas jamais almejou a dominação das nações vizinhas. Pelo contrário, procurou sempre manter com elas relações fraternas e até em suas disputas diplomáticas soube agir com dignidade, com altivez, com senso de justiça e com habilidade, jamais com agressividade ou prepotência.

Se em determinada altura se envolveu em um conflito bélico, de consideráveis proporções, não foi a ele movido pelo desejo da conquista ou da dominação, mas para repelir a agressão injusta.

Aliás, o Brasil – onde um frutífero e vasto processo de miscigenação, entre portugueses, indígenas e negros, havia plasmado um povo com características únicas – soube aqui acolher gentes provenientes das mais variadas regiões do mundo. Europeus de todas as latitudes e origens étnicas, até orientais das mais remotas paragens, muitas vezes fustigados por circunstâncias políticas ou sociais dolorosas, aqui se radicaram e prosperaram, acolhidos com benevolência, sob a solicitude de nossos Imperadores, usufruindo dessa atmosfera de cordialidade, sem rancores nem tensões, que constitui um dos encantos da convivência brasileira.

Ao celebrarmos a semana da Pátria é, pois, com júbilo que considero tal passado, a tantos títulos inspirador. Mas é também com inegável apreensão que me volto para um presente convulsionado e para um futuro cada vez mais incerto.

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Não é minha intenção debruçar-me aqui sobre os inúmeros desmandos do regime republicano, que estão à vista de todos, e que não fazem senão ressaltar a inorganicidade de um regime político que, pela violência abrupta, veio truncar essa continuidade benéfica. Desmandos esses que levam a opinião pública a não ver na classe política a expressão autêntica do que o Brasil pensa e quer.

Minha atenção é atraída para um processo mais subtil e, entretanto, mais nocivo, que atinge nossa vida pública.

Em um ambiente de aparente normalidade, sem que o Brasil seja alvo de uma agressão militar externa, múltiplos fatores vão contribuindo para corroer no seu âmago esta continuidade histórica, tão intrínseca a nossa vida como Nação independente.

Vozes políticas apelam a uma “refundação” do País, prometendo fazer aos brasileiros – sobretudo aos menos favorecidos – uma justiça que lhes teria sido sistematicamente negada. Para tal fim, jogam na vala comum da História todo o nosso passado, considerado, numa distorção falaciosa, fonte de todos os males que o País atravessa.

Apelando a estranhas doutrinas sociológicas, antropológicas, ambientalistas e até religiosas, paladinos de ideologias merecidamente sepultadas pela história recente maquiam-nas com novos contornos revolucionários e tentam introduzir na vida do País fatores próprios a desagregar nossa organização político-social.

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Partidários de um verdadeiro e extremado apartheid cultural, desejam confinar nossos irmãos indígenas a uma estagnação deteriorante, negando-lhes as vantagens de um sadio progresso e, sobretudo, os benefícios indizíveis da Verdade revelada, e reclamam para eles imensas extensões de terras, que, a médio ou longo prazo, se tornarão enclaves independentes, de onde, desde já, brasileiros são violenta e arbitrariamente expulsos, como se deu recentemente em Roraima e se anuncia para breve em Mato Grosso do Sul.

Processo idêntico se dá com a chamada “revolução quilombola”, pela qual comunidades ou indivíduos que se auto-intitulam remanescentes de quilombos, habilmente manipulados por agitadores, reivindicam para si largas áreas do território nacional, em inteiro desrespeito ao legítimo e estabelecido direito de propriedade.

Aliás, em todo este processo, o legítimo proprietário, sobretudo o rural, que com seu esforço e dedicação tantos benefícios tem trazido ao País, inclusive na mais recente crise econômico-financeira mundial, é o grande vilão a ser perseguido e, se possível, eliminado.

Vai igualmente sendo introduzida no Brasil uma política de classificação de raças, que tenta negar e subverter a identidade nacional, claramente construída sobre a miscigenação, com todos os seus corolários psico-sociais de harmonia e bom entendimento.

Eivado de preconceitos ideológicos, esse multiculturalismo segregacionista tenta impor a política de “discriminação positiva” – com as chamadas cotas raciais – em nome da qual se pretende criar o clima de conflito próprio a dilacerar nossa unidade.

Nossa diplomacia, famosa por seus grandes vultos, pela excelência e discrição de sua atuação, percorre hoje, lamentavelmente, descaminhos perigosos, tão avessos a nossa índole como nação independente.

O Brasil, que naturalmente alcança uma projeção internacional condizente à sua importância, tem optado por alianças e posturas políticas no âmbito externo que podem acarretar graves consequências para todos nós.

Em sua política exterior o governo brasileiro tem multiplicado suas alianças e seu apoio a regimes ditatoriais, e utilizado fóruns internacionais para acobertar práticas tirânicas, o que lhe tem valido severas críticas, provenientes dos mais variados quadrantes.

Além disso, no âmbito da América Latina, é cada vez mais aberta e reconhecida a subserviência de nossa política externa a um projeto ideológico do chamado eixo bolivariano, em nome do qual o governo tem abdicado de direitos e aceitado duríssimos golpes aos interesses nacionais. Isso sem falar das estranhas alianças com regimes acobertadores ou até promotores do terrorismo internacional.

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Este elenco não tem a pretensão de ser exaustivo, mas apenas um enunciado dos fatores que considero como graves ameaças a nossa autêntica independência, proclamada por Dom Pedro I, a 7 de setembro de 1822, às margens do Ipiranga.

Creio ser dever de todos os brasileiros – e me dirijo, neste momento, com particular solicitude aos que trazem vivas em seus corações as esperanças monárquicas – ter noção clara de tais ameaças, estimular ativamente o debate a respeito das mesmas, evitando assim uma apatia ou um comodismo que poderiam ser fatais, e trabalhar ativamente, sempre dentro dos limites da legalidade, para evitar ao Brasil tais descaminhos.

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Ao encerrar estas reflexões sobre nossa Independência e sobre os riscos que a envolvem, volto meu olhar saudoso e filial para a figura de meu Pai, o Príncipe Dom Pedro Henrique, cujo centenário de nascimento nestes dias comemoramos.

Modelo de príncipe católico, tinha ele a convicção de que uma singular predestinação cercou desde os primeiros instantes nosso querido Brasil, e que nosso progresso teve desde seu início sentido marcadamente missionário.

Era para o ideal dessa trajetória histórica que – sem saudosismos estéreis – convidava a se voltarem os que com ele mantinham contacto ou aqueles a quem dirigia seus escritos, para que nesse passado encontrassem orientação, conselho e roteiro.

Por tal motivo, tinha, pois, meu Pai a entranhada convicção de que à Família Imperial cabia representar um conjunto de tradições e valores morais cuja ação modeladora se exerce de maneira profunda e eficaz na sociedade. E não considerava a restauração monárquica como uma ambição pessoal, de onde pudesse auferir vantagens, mas encarava tal perspectiva como missão perene a cumprir, para a qual estava pronto – e para a qual preparou seus filhos –sempre em vista do bem do Brasil.

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Dom Pedro I, proclamador de nossa independência, houve por bem consagrar nosso País a Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Nos passos de meu antepassado, é para Ela que me volto, rogando-Lhe que deite sobre o Brasil um olhar de benevolência misericordiosa, e com suas bênçãos assegure ao Brasil a plenitude de sua independência, bem como o cumprimento de sua providencial missão entre as nações.
Rio de Janeiro, 13 de setembro de 2009
Dom Luiz de Orleans e Bragança
Chefe da Casa Imperial do Brasil
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2º ANIVERSÁRIO


Hoje, dia 16 de setembro de 2009, estamos celebrando o segundo aniversário deste blogue "LUGAR DO SOUTO", o qual, para minha surpresa, já criou personalidade própria, distinta daquela do seu editor. Nem sempre tem sido fácil manter as notícias atualizadas, fazer os comentários que eu gostaria de fazer, conversar com alguns fiéis leitores e discutir as opiniões comuns. Muito mais eu gostaria de incluir e de comentar, mas o tempo de que disponho é exíguo e, às vezes, sou relapso nas publicações, não por falta de interesse nem de respeito por quem lê o "Lugar do Souto", mas por total impossibilidade de me dedicar mais atentamente.

Nos últimos dois anos abri o meu coração e manifestei as minhas opiniões da maneira mais sincera, por vezes com a discordância de alguns leitores, mas assim é a vida e assim somos nós humanos. Já transformei em papel o texto eletrônico do blogue, fiz as adaptações exigidas pelo formato tradicional e tenho a intenção de publicar em livro (uma pequena brochura) as conversas que mantivemos pela Internet nos últimos dois anos. Aguardemos, para ver se será possível.

Parabéns "Lugar do Souto" e longa vida aos seus textos, com muitas velinhas ainda a serem apagadas.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

BRACARA AUGUSTA ROMANA - BRAGA MODERNA

Visitar a cidade de Braga é sempre um prazer. Para quem ainda não sabe, Braga fica no Norte de Portugal, na Província do Minho.


De acordo com a divisão administrativa portuguesa, Braga é a capital do Distrito do mesmo nome que engloba vários Concelhos (escreve-se com "c" mesmo), incluindo os Concelhos de Vieira do Minho, Póvoa de Lanhoso e Terras de Bouro, dos quais são originários, desde sempre, todos os meus antepassados. Braga, portanto, é a cidade mais importante à qual está ligada a minha família e, consequentemente, eu próprio.
Braga é a mais antiga cidade de Portugal e uma das cidades cristãs mais antigas do mundo, sendo a sua fundação datada de antes da Era Cristã. Como forma de homenagear Cesar Augusto (Octavius), os romanos edificaram, no ano 16 a.C., Bracara Augusta, derivando o seu nome da junção da designação do povo celta bracari que lá vivia, com o nome do Imperador romano. Naquela época, Bracara Augusta era a cidade mais importante situada no território onde hoje é Portugal. A zona central da cidade atual é toda tombada e qualquer escavação traz à luz vestígios dos mais diversos aglomerados populacionais, destacando-se o monumento megalítico "Mamoa de Lamas", do período neolítico. Existem variadas provas da existência de povos da Idade do Bronze e da Idade do Ferro (os famosos "castros"). Os "castros" eram povoações nos locais mais altos do relevo e os celtas foram os seus primitivos habitantes. Um dos "castros" mais importante da região de Braga está na vila de Vieira do Minho, que fica a 34 km do centro de Braga.
Após à conquista do império romano pelos povos bárbaros, Bracara Augusta passou a ser a capital política e intelectual do reino dos Suevos e foi lá que, entre os anos de 561 e 563, realizou-se o Concílio de Braga (ou Bracara) presidido por São Martinho de Dume, bispo titular de Bracara. Importantes reformas religiosas e linguísticas resultaram desse Concílio, destacando-se, por exemplo, a mudança dos nomes da semana. Até então os dias eram conhecidos por elementos linguísticos pagãos: Lunae dies, Martis dies, Mercurii dies, Jovi dies, Veneris dies, Saturni dies e Solis dies e, a partir daquele momento, passaram a ser designados Feria secunda, Feria tertia, Feria quarta, Feria quinta, Feria sexta, Sabatum e Domenica dies. Foi, portanto, no Concílio de Bracara que os nomes da semana deram origem aos nomes em língua portuguesa: eis a força da Cristandade até nas origens do nosso idioma.
Se eu fosse contar toda a evolução da encantadora cidade de Braga, não haveria lugar nesta postagem para tanta história, prefiro, assim, deixar em aberto a curiosidade dos leitores e convidar a todos para uma visita à cidade. Vão até Braga, porque não se arrependerão. Passado e presente estão unidos na cidade e nos seus arredores e vários dias terão de ser dedicados à visita. Deixo aqui algumas fotos e também um pequeno vídeo da Sé de Braga, a mais antiga de Portugal, para aguçar a vontade dos leitores.
Braga aguarda a visita de quem a quiser conhecer.