segunda-feira, 21 de novembro de 2011

BAIRROS ANTIGOS DE BRUXELAS: L'ILOT SACRÉ


Um ano depois da última visita, estou, neste outono de 2011, de volta a Bruxelas. Outono, aliás, atípico quanto à meteorologia, pois os dias estão ensolarados e a temperatura, durante as manhãs, ronda os 9 ºC, o que, para Bruxelas, quase no fim do mês de novembro, é bastante superior àquela que seria normal. Ainda bem!

Ontem, ao passear pelo antigos bairros da zona central da cidade, decidi que iria postar algumas crônicas  (ou arremedo de crônicas) com fotos dos bairros mais antigos desta milenar Bruxelas, começando com o chamado de L'Ilot Sacré, sem dúvida um dos mais visitados pelos turistas, devido, principalmente, aos inúmeros restaurantes que abriga.
A palavra îlot, em francês, corresponde, no vernáculo, a  "ilhota" ou "ilhéu", uma ilha muito pequena e o adjetivo sacré, traduz-se por "sagrado"; por analogia, porém, îlot, pode significar um agrupamento de casas cercado por ruas, como ocorre com este bairro típico do centro de Bruxelas. Na realidade, a Ilot Sacré foi criada recentemente, no final da década de 1950, quando Bruxelas foi submetida a uma série de demolições para modernizar a cidade que se preparava para a Exposição Internacional de 1958. Várias ruas históricas estavam na lista das que seriam atingidas, a rue de Bouchers, a petite rue des Bouchers e a rue des Dominicains, por exemplo, deveriam sofrer várias demolições, para atender ao plano de modernização. Surgiu, então, um movimento dos comerciantes e de alguns moradores da zona que não só conseguiu impedir as demolições previstas, como forçou a criação, no centro histórico de Bruxelas, de algumas "ilhas" intocáveis a futuras ideias modernosas e de mau gosto, pretendo demolir o clássico para dar lugar ao moderno. Surgiu, assim, a Ilot Sacré, uma espécie de bairro restaurado, tombado e protegido em pleno coração da capital da Bélgica.

A atual rue des Bouchers aparece em um documento de 1294 dos arquivos da catedral de Saint-Gudule, com a denominação latina de Vicus Carificum, o que confirma as origens remotas daquela rua e de todo o bairro. Na Idade Média, inúmeras lojas de charcutaria, salsicharia e de miudezas comestíveis já estavam estabelecidas na rue des Bouchers e na petite rue des Bouchers e, até os dias atuais, é lá que os turistas procuram as mais variadas iguarias da gastronomia tradicional de Bruxelas. 


Resolvi aproveitar os meus curtos seis dias em Bruxelas para flanar pela Ilot Sacré, colhendo algumas fotos e guardando na memória o cenário daquele bairro tão típico. Algumas fotos foram feitas muito cedo na manhã de hoje e outras, ao fim da tarde, cerca da 4:30h, antes do horário do almoço e do jantar, respectivamente, razão pela qual as ruas estão vazias e, consequentemente, calmas.


Bruxelas é uma cidade que deveria sempre estar incluída no roteiro de quem vem à Europa, pois, embora não seja uma grande metrópole, tem todas as vantagens de uma cidade como Paris, o charme, os bons restaurantes, uma vida cultural razoável e, em alguns bairros, a tranquilidade de uma cidade de médio porte. Às pessoas que pretendem visitar Bruxelas, sugiro uma noite dedicada à Ilot Sacré, cujas fotos preenchem esta postagem.


O charme do centro histórico da capital da Europa certamente encantará aos novos visitantes.

Neste mapa, pode-se localizar a Ilot Sacré.

 

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

4º ANIVERSÁRIO



Amanhã, dia 16 de setembro de 2011, o "Lugar do Souto" comemora quatro anos de postagens ininterruptas. Uma vitória, para quem nunca acreditou que o blogue chegaria mesmo a completar um ano. Com o passar dos dias, meses e anos, tenho estado menos presente, menos criativo, menos paciente em publicar textos, mas essa ausência não significa que perdi o interesse, o amor pela transcrição dos fatos do meu dia a dia. Nada disso, apenas a minha vida mudou e o tempo é bem menor para sentar e escrever.
Quatro anos se passaram e aqui estou desejando, mais uma vez,  Parabéns, Lugar do Souto e obrigado aos que me honram com sua leitura.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

AH ESSES PORTUGUESES DE DEDO EM RISTE ! VÍDEO DA SÉ DE BRAGA ABORTADO

Sempre gostei de Portugal, entre muitas outras razões, por quase português eu ser. Nasci no Brasil, filho de pais portugueses, mas foi em Portugal que passei boa parte de minha juventude, quando fui estudar na Universidade Clássica de Lisboa, tendo continuado a visitar o país durante toda a minha vida.

Conheci um Portugal de outras épocas, que já não era a época dos cinco réis ou das esferas, mas que era muito diferente do que é hoje, o que, aliás, é natural. Conheci Portugal (e nele vivi) numa época em que o autoritarismo era predominante e onde algumas pessoas sempre estavam de dedo em riste proibindo alguma coisa, controlando alguma atitude. Não sou contra a manutenção da ordem, a existência de permissões e de proibições para que uma sociedade possa viver em paz e tranquilamente, muito pelo contrário, mas sempre me incomodava o fato de algumas pessoas utilizarem o regime de então para reprimir os seus concidadãos. Esse posicionamento não deveria existir mais.
 
Ocorre, porém, que, estando eu em Braga, no norte de Portugal, resolvi fazer um vídeo sobre a Sé, para colocar no You Tube e divulgar  o monumento para quem não o conhece. A minha intenção era a de criar um novo vídeo sobre aquele templo quase milenar e patrimônio da humanidade, mas só consegui apresentar o casario que compõe o pátio e o átrio frontal da igreja. O dedo em riste e a mão espalmada de um guardião lusitano à moda antiga me impediu de continuar.


Reafirmo que entendo e aceito que regras são para serem cumpridas e que, na Sé de Braga, não se pode filmar o interior do templo. Só não entendo porque outros templos portugueses, como a basílica de Fátima, e os de outros países, como a igreja de São Pedro, em Roma, ou a de São Francisco, na Bahia, ícone do barroco brasileiro, podem ser fotografados e filmados, e a Sé de Braga, não pode! De que modo, então, divulgar o patrimônio, que pertence à humanidade, se não existem DVDs e vídeos oficiais para serem vendidos e os turistas não podem filmar? E eu que acreditava que os dedos em riste e as mãos espalmadas, simbolizando repressão, haviam sido há muito abolidos em Portugal! O vídeo abortado está disponível no You Tube, entre os vídeos de vasconcellosl1 (http://www.youtube.com/user/vasconcellosl1), com o mesmo título desta postagem.


Seja como for, não deixem de visitar a Sé de Braga. Sede do Bispado fundado, segundo a tradição, por São Tiago Maior, que lá deixou como primeiro bispo o seu discípulo São Pedro de Rates. Santiago Maior (muito raramente, Santiago, o Grande), também chamado Santiago Filho do Trovão ou Santiago de Compostela (martirizado em 44 da nossa Era), foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo. Muitos são os que crêem que S. Tiago visitou a província romana de Hispânia. Por causa desta origem apostólica, a Sé é considerada Sacrossanta Basílica Pimacial da Península Ibérica e o seu arcebispo, Primaz das Espanhas. Possui uma liturgia própria, a liturgia bracarense. A igreja assenta sobre as bases de um antigo mercado ou templo romano dedicado a Ísis (como atesta uma pedra votiva na parede leste) e sobre muros de uma posterior basílica paleocristã.

A Sé de Braga é considerada como um centro de irradiação episcopal e um dos mais importantes templos do românico português, a sua história melhor documentada remonta à obra do primeiro bispo, D. Pedro de Braga, correspondendo à restauração da Sé episcopal em 1070, de que se conservam poucos vestígios. 

Apesar de tudo, sempre que puder, voltarei à Sé de Braga!

domingo, 12 de junho de 2011

COMUNICADO DA CASA REAL PORTUGUESA



O "Lugar do Souto" não tem por princípio divulgar comunicados e notas ou emitir opiniões que não sejam de exclusiva autoria e responsabilidade do seu autor, proprietário dos direitos do blogue. 
Atendendo a pedido recebido por correio eletrônico, transcreve o comunicado abaixo de autoria do Secretariado da Casa Real Portuguesa, ao qual se atribui inteira responsabilidade. A ilustre e incólume figura de S.A.R. o Senhor Dom Duarte de Bragança, Chefe da Casa Real Portuguesa levou-nos a abrir a exceção:

«Em face de diversas notícias divulgadas em diferentes órgãos de comunicação social , algumas delas atentatórias da dignidade e do bom nome do Senhor Dom Duarte de Bragança, vem o seu Secretariado esclarecer o seguinte:

1- Não existe qualquer sentença de condenação do Senhor Dom Duarte de Bragança ao pagamento de 100.000 €, nem existe qualquer sentença ordenando a penhora de bens da sua propriedade para garantia do pagamento dos referidos 100.000 €.

2- Corre os seus termos no 1º Juízo do Tribunal do Comércio de Lisboa a acção nº 93/07.0TYLSB, na qual, com base no registo de marca nacional nº 366085 e de logotipo nº 5694, é pedido que o Senhor Dom Duarte seja impedido de utilizar símbolos, ou semelhantes, com as insígnias usadas pela associação denominada Ordem de São Miguel da Ala

3- Tal pretensão foi contestada pelo Senhor Dom Duarte e a acção em causa aguarda, desde 2009, que seja proferido despacho saneador. Assim, a referida acção ainda não teve julgamento nem foi proferida qualquer sentença a esse respeito.

4- Por apenso a esta mesma acção foi instaurado um procedimento cautelar no qual foi proferida uma decisão – necessariamente provisória e meramente destinada a garantir o efeito útil de qualquer sentença que vier a ser proferida no processo principal - ordenando aos requeridos que se abstivessem de utilizar sinais idênticos ou confundíveis com aquelas marca e logotipo e estipulando, para a hipótese de atraso no cumprimento da decisão, uma sanção pecuniária compulsória de 200,00 € diários.

5- Posteriormente a esta decisão, datada de 23 de Outubro de 2009, não foi proferida qualquer outra decisão judicial sobre o assunto.

6- Enquanto aguarda serenamente a sentença a ser proferida no processo principal, o Senhor Dom Duarte de Bragança respeitou a decisão proferida no procedimento cautelar, abstendo-se imediatamente da utilização dos sinais distintivos em questão.

 8- Todas as outras questões relacionadas com a divulgação e o conteúdo das notícias em causa serão, a seu tempo, encaminhadas para sede própria.»



 Secretariado da Casa Real              www.casarealportuguesa.org

sexta-feira, 27 de maio de 2011

NA ÉPOCA EM QUE SE DAVA UM BIGU AOS VIZINHOS

Sou de uma tempo em que dar um bigu era uma praxe corriqueira, cotidiana, generalizada, e todos os que podiam davam. Até mesmo num fusca se dava um bigu. Como era salutar e tranquilizadora para a comunidade a prática de dar um bigu!

Calma, calma. Peço aos leitores mais conservadores, principalmente aos que não são do nordeste do Brasil, que não saiam deste blogue, porque o seu conteúdo não é erótico, nem as postagens têm qualquer cunho libidinoso, muito pelo contrário, nada mais correto e conservador do que as minhas lembranças postadas em forma de contos.

Ocorre, porém, que ultimamente tenho coletado na memória antigos termos ou expressões que caíram inteiramente em desuso no falar característico da cidade do Recife, onde nasci e moro atualmente. A primeira expressão que me veio à cabeça foi "dar um bigu". Quando eu era criança, havia o hábito do transporte em comum, solidário, participativo. Quem tinha carro dava bigu a quem não tinha ou a quem, por qualquer razão, preferia deixar o seu na garagem. "Dar um bigu" nada mais é do que "dar uma carona" ou, à lusitana, "dar uma boleia".

Um dia desses, conversando com um grupo de jovens, citei a expressão e, acreditem os que agora me leem, embora todos nascidos na capital pernambucana, nenhum sabia o que ela queria dizer, havendo até quem achasse que era algo de libidinoso. Meu Deus, onde é que estamos? O que se passa com as nossas expressões, com os termos seculares que sempre utilizamos aqui no Nordeste brasileiro e que foram absorvidos pela famosa globalização?

A partir da segunda metade da década de 1960 a televisão brasileira começou a receber influências dos programas produzidos no Rio de Janeiro e em São Paulo, primeiramente, sob a forma de vídeoteipes, em seguida, ao vivo e a cores, impondo a forma de falar do sudeste do país. Nada contra, mas lamento a perda gradativa de nossa identidade coloquial.

Voltando à expressão "dar um bigu", encontrei, em pesquisas na Internet, uma explicação que reproduzo a seguir, mas que duvido da veracidade: "[...Em tempos idos, construíram na cidade um hospital especialmente para soldados americanos que, quando precisavam ir para alguma parte da cidade, ficavam em frente ao hospital pedindo transporte (carona) aos carros que passavam, dizendo "be good, be good" ! Com o tempo, a expressão inglesa foi sendo modificada e se transformou no termo bigu...]". Embora, como disse acima, eu não ache que essa explicação seja verídica, no mínimo, ela é engraçada.

De tudo o que foi exposto, resta a proposta de se voltar à pratica de dar um bigu (ou vários bigus) aos vizinhos, para com isso tentar reduzir o número de veículos que circulam na nossa cidade, com engarrafamentos nunca dantes vistos por aqui. Sejamos solidários no transporte e a qualidade de vida de todos irá melhorar.


segunda-feira, 16 de maio de 2011

S.A.I.R. DONA MARIA ELIZABETH DA BAVIERA DE ORLEANS E BRAGANÇA

Estivesse o Brasil ainda sob o regime monárquico e o fim de semana ora findo teria sido de luto nacional, pelo falecimento, no passado dia 13, de Dona Maria Elizabeth da Baviera de Orleans e Bragança.

Filha do Príncipe Francisco da Baviera e da Princesa Elizabeth de Croÿ, Dona Maria nasceu em Munique a 9 de setembro de 1914, recebendo o nome de batismo de Maria Isabel Francisca Teresa Josefa de Wittelsbach e Croy-Solre. Em 19 de agosto de 1937 desposou o Senhor Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, neto da Princesa Isabel, a Redentora, a quem sucedeu na chefia da Casa Imperial do Brasil. Pelo casamento, a princesa passou a ser, de jure, Imperatriz-Consorte do Brasil. Em 1945, a Augusta Senhora Dona Maria, em companhia de Dom Pedro Henrique e dos filhos até então nascidos, mudaram-se da Europa para o Brasil, onde fixaram residência permanente.


Exemplo de virtude cristã, S.A.I.R. Dona Maria da Baviera, como era mais conhecida, dedicou sua vida à educação dos filhos, a obras de caridade e, como lazer, à pintura em cerâmica. Após o falecimento de Dom Pedro Henrique, de jure Dom Pedro III do Brasil, Dona Maria passou a ser denominada Imperatriz Mãe do Brasil, devido ao fato de o seu filho primogênito, Dom Luiz, ter assumido a chefia da Casa Imperial. 

Nos últimos tempos, a Imperatriz Mãe vivia na cidade do Rio de Janeiro, onde entregou  o espírito ao Senhor na última sexta-feira, 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima e da abolição da escravatura no Brasil.

O Lugar do Souto transmite os seus respeitosos e sentidos pêsames ao Augusto Senhor Dom Luiz e à toda a Ilustre Família enlutada.
Requiescat in Pace.

sábado, 2 de abril de 2011

RECIFE DE ONTEM, DE HOJE E DE SEMPRE


Se foi a saudade que me trouxe pelo braço, não sei, mas acho que sim, não vejo outro motivo para este regresso depois de um quarto de século ausente. Voltei para casa, isto é o que conta. Voltei para um Recife que já não é o da minha infância, nem o da minha adolescência, nem a cidade na qual eu vivi há algumas décadas, mas que, mesmo assim,  ainda posso chamar de meu Recife.

Gosto de acordar cedo no Recife, àquela hora em que os sabiás, rolinhas, bem-te-vis e tantos outros cantam anunciando a aurora, e sair passeando (sem nada nos bolsos ou nas mãos) pelas ruas do bairro onde nasci, numa rua onde o bairro das Graças se une ao dos Aflitos. Só mesmo no Recife existem bairros com nomes tão bizarros - não bastassem os nomes das ruas, de que já escrevi, há bastante tempo! 

Saio, sentindo no rosto a morna brisa matutina tão típica daqui. Caminho, caminho e caminho, sem rumo ou razão para caminhar, querendo, apenas, ver os casarões gastos pelo tempo e sentir o cheiro de terra úmida - da terra da minha terra.
                                                             
Ando a esmo, buscando um passado que não pode (nem deve) existir mais e me deparo em frente à capelinha dos Aflitos, onde fui a tantas missas com a minha família.
Continuo a caminhada e chego até o Clube Náutico, o meu time de coração, que lá continua vermelho e branco e imponente, apesar de tantos reveses. Faço o caminho de volta pela rua do Futuro, atravessando a rua Amélia e passando pela Rua João Ramos para chegar, finalmente, à Rua das Graças.
Dirijo-me, então, à Igreja de mesmo nome e onde fiz a minha Primeira Comunhão. Nada mudou, tudo mudou, eu mudei. Saio da Igreja das Graças e volto para casa devagarzinho, seguindo a toada dos pássaros matutinos.


Chego, então, à rua onde iniciei o meu caminho e procuro a minha casa, mas não a encontro. Como não a encontro se o número ainda está no muro? Mas o muro é outro, a casa lá dentro é outra, a rua parece ser outra. Só então me dou conta de que toda a caminhada não foi real, foi apenas um desejo, uma saudade enorme de um Recife que não existe mais, ao menos como era dantes.

Cadê o meu Recife de antigamente, onde andar a pé nas ruas era um prazer descuidado, onde as árvores tinham os troncos pintados pelos moradores, onde o sol tropical era menos forte, onde eu era jovem? Será que ele não existe mais? Penso e concluo que ele existe sim e está guardadinho bem dentro da minha memória, no fundo do meu coração. Mudou a paisagem, mudaram as pessoas, mudei eu, mas o meu Recife continua existindo, bonito, altaneiro, alegre e diferente do que um dia ele foi. Por isso e por muito mais estou feliz. Feliz por ter voltado à terra onde um dia nasci, ao meu Recife de ontem, de hoje e de amanhã, ao meu amado Recife de sempre.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

PÉRICLES, O AMIGO DA ONÇA E O FIM DO ANO DE 2010

Escolhi temas em excesso para o título desta postagem: um cartunista recifense, o seu personagem ilustre e reflexões sobre o último dia de um ano (no caso, 2010) do calendário gregoriano, mas prometo que serei breve sobre cada um deles.

Será que alguém recorda que neste 31 de dezembro, há exatos 49 anos,  ocorreu a trágica morte de Péricles de Andrade Maranhão? Faço outra pergunta, será que alguém, com menos de 49 anos, recorda-se de  Péricles?  No Brasil de hoje, de curta memória histórica, tenho dúvidas de que ele seja lembrado como o deveria ser e, sinceramente, lamento esse esquecimento.

Péricles nasceu em 1924, na cidade do Recife, no bairro do Espinheiro, que é contíguo ao bairro das Graças, no qual eu nasci, sendo esta a única coincidência entre nós.  Não sou desenhista, nem nunca tive o dom da comédia crítica, mas sei reconhecer um grande artista e o traço de Péricles é o reflexo  de um grande cartunista. Muito cedo,  Péricles foi para o Rio de Janeiro e, entre os anos de 1943 e 1962 (um ano depois de sua morte), a figura criada por esse gênio pernambucano estava presente em todos os fatos e piadas da época. 

No dia 31 de dezembro de 1961 o cartunista resolveu, aos 37 anos, dar fim à vida, por razões que não nos compete julgar. Ligou o gás, deixou um bilhete dizendo "Para mim, basta" e outro à porta pedindo para não riscarem fósforos e pronto... partiu dormindo. A solidão foi a causa do seu gesto e o "Amigo da Onça"  o seu algoz, já que Péricles não conseguia se libertar do fato de ser conhecido apenas como o seu autor. A criatura matou o criador, mesmo sem o querer fazer. Quem sabe se essa não foi a última maldade de "O Amigo da Onça"?

Gostaria de prestar a minha homenagem a Péricles e deixar aqui o meu manifesto para que as autoridades competentes de Pernambuco, em especial as da cidade do Recife, no ano de 2011, que já está  batendo à porta, não se esqueçam de homenagear os 50 anos do desaparecimento desse nosso conterrâneo ilustre, que ocorrerá a 31 de dezembro. Aproveitem a data, para promover, durante todo o ano, eventos sobre o autor e sobre a sua obra, inclusive os primeiros desenhos publicados no "Diário de Pernambuco".

É com essa nota que termino o ano de 2010, mais um dos muitos já festejados, de uma maneira ou de outra,  nas cidades onde vivi. Recordo, nem sei porque razão, que há 40 anos eu estava muito feliz numa gelada e colorida Paris. Que saudade daquele dia e daquela companhia!


Poderia, ainda,  falar de muitas coisas, inclusive da "Senhora Solidão", que levou Péricles tão jovem e que, a cada ano que passa, é companheira (será que solidão pode ser companheira?) de mais seres humanos, no Recife, no Brasil e um pouco por toda a parte. 


O dia 31 de dezembro, porém,  é dia de reflexão, de abraços, de companheirismo, de alegria e de promessas, não deixemos que ele seja um dia de solidão.

FELIZ 2011.
Todas as fotos e desenhos desta crônica estão livremente disponíveis na Internet.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A GRAND-PLACE DE BRUXELAS NO INÍCIO DE UMA NOITE DE OUTONO



No século X, os Duques de Basse-Lotharingie construíram uma fortificação numa ilha do rio Senne (não é o rio Sena, de Paris) que deu origem à cidade de Bruxelas. No final do século XI, perto desse castelo-fortificação, surgiu um mercado (ou feira) a céu aberto denominado “Mercado de baixo" (ou "Mercado Inferior"). Passaram-se os anos e os séculos e o mercado tornou-se o centro do comércio de Bruxelas. Nos séculos XV, XVI, XVII  e XVIII o local foi, aos poucos, sendo transformado com a construção de maravilhosos monumentos arquitetônicos. No século XVII, o Rei Luís XIV da França bombardeou a praça, mas, depois de ter sido reconstruída, ela ficou ainda mais bela e monumental.



Após algum tempo, o local ficou conhecido por “La Place du Grand-Marché” ou “La Grand-Place".

Todos os que acompanham os textos do "Lugar do Souto" sabem que eu gosto muito de Bruxelas, cidade que faz parte de minha vida há mais de 25 anos e onde morei entre maio de 1999 e novembro de 2004. Gosto sim e agradeço à vida que, entre o tanto que me tem dado, oferece a chance de vir a Bruxelas várias vezes ao ano. Apesar dessa ligação com a cidade e de várias crônicas postadas a seu respeito, nunca citei a Grand-Place, patrimônio cultural da humanidade e um dos lugares mais visitados da Europa.

Nesta postagem, preferi falar pouco da Grand-Place, de indescritível beleza (mais bela ainda ao anoitecer) e, apesar das falhas do fotógrafo amador que sou, decidi postar fotos mostrando, inclusive, a árvore do próximo Natal pronta para ser decorada, além de algumas outras, com detalhes desse património da humanidade.
 
Resolvi aproveitar o fato de o trabalho ter acabado mais cedo para, no fim da tarde de hoje, dia 17 de novembro de 2010, ir passear pela Grand-Place de Bruxelas e, ao mesmo tempo, dar um "até breve" ao centro da cidade. 

Comecei o passeio solitário degustando dois croissants na Patisserie Paul, só para fazer inveja a uma amiga do Recife. Imaginem os leitores, que essa minha amiga, quando veio a Bruxelas, na Primavera deste ano, fez "biquinho" e não  quis conhecer as iguarias dessa padaria/pastelaria francesa, só porque estava chovendo e, por preguiça de sair do hotel, ficou assistindo filmes na televisão. Ela não sabe o que perdeu naquele dia! Mesmo assim, vou levar um croissant para ela...

Prestem atenção na composição dos edifícios e nos detalhes de cada um deles. De minha parte, quanto mais visito a Grand-Place, mais me sinto extasiado por sua beleza.

                 

Não estarei em Bruxelas no Natal de 2010, mas sugiro virem até aqui (quem tiver tempo e puder), pois a beleza do local compensará o frio que, sem dúvida, estará fazendo na noite de 24 de dezembro.


Espero voltar em breve!