domingo, 20 de abril de 2008

QUEM FOI RAOVAL BERIOR ?


Desde a transcrição no Lugar do Souto (8 de março 2008) da crônica social de Raoval Berior, publicada em um periódico da cidade do Recife, em 30 de outubro de 1932, que não param de me fazer perguntas indagando sobre aquele desconhecido cronista de uma sociedade que não existe mais. As inúmeras pesquisas que fiz permitiram chegar aos seguintes dados:
Em 1919, a repentina morte do senhor Berior mudou radicalmente a vida da família. A loja que os sustentava passou para o controle dos maridos das duas filhas mais velhas e os cunhados de Raoval, que detestavam os seus modos peculiares, não descansaram enquanto não o expulsaram de casa e da redondeza.

Raoval Berior era o terceiro filho de um casal emigrado do Líbano que chegou ao Recife (Brasil) na década de 1880.






Raoval nasceu em um amplo sobrado por cima da retrosaria do pai, na rua do Rangel, no domingo de carnaval de 1899 e, coincidência ou não, foi um carnavalesco de mão cheia até o fim de sua não muito longa vida. Na infância, foi coroinha na vizinha Igreja do Livramento e era o encanto dos padres quando subia para o coro e os deleitava com a maravilhosa voz de querubim.

Foi a duras penas que o casal Berior educou as quatro filhas e o único filho varão, mas, graças à loja do patriarca e à doçaria da esposa, os pais conseguiram dar uma educação razoável aos cinco rebentos. As quatro filhas concluíram a Escola Normal e Raoval chegou ao segundo ano de Belas Artes, mas teve de desistir dos estudos depois da morte do pai.

Raoval, as irmãs ainda solteiras, a mãe, dona Floraval (que adorava o filho), mudaram para uma casa bem menor na rua de São João, no bairro de São José e o nosso futuro cronista teve de abandonar as Belas Artes para ajudar no sustento da mãe e das irmãs. Filho e irmão exemplar, recifense da gema e um apaixonado pela sociedade de então, foi o que a pesquisa constatou dos pouquíssimos relatos sobre Raoval Berior.

Entre 1920 e 1930 nada se registra sobre as suas atividades, existindo as mais diversas versões, que, por não serem de fontes fidedignas, prefiro omitir.


De repente, em dezembro de 1930, aparece a primeira crônica social, assinada com o seu nome verdadeiro, o que era uma temeridade, não só no Recife, mas também no Rio de Janeiro e em São Paulo daquela época. Raoval, porém, era destemido e, em menos de um ano, ele sim era temido pela sociedade, pois com as suas alfinetadas, perspicácia na crítica e uma constante observação da sociedade, era capaz de destruir quem ele quisesse e de quem não gostasse. Poder demais para aquele filho de imigrantes libaneses e que, mais tarde, lhe deve ter custado a vida.

A sociedade do Recife na década de 1930 foi reproduzida com minúcias por vezes picantes nos escritos do cronista. O estilo é simplório, com alguns erros gramaticais, às vezes piegas e repetitivo, mas reflete, sem dúvida, a sofrida, ambiciosa, sonhadora e mística personalidade do autor e era a maneira como ele via a sociedade do Recife do entre guerras.
Pelo que eu pude notar das crônicas a que tive acesso, Raoval – fiel aos amigos - tinha os seus ídolos e esses eram sempre poupados e objeto de palavras elogiosas, cheias de exageros, nos textos publicados todos os domingos.

Raoval Berior foi encontrado morto em uma esquina da rua Direita, na Quarta-Feira-de-Cinzas de 1939.


Com o relato acima, espero ter satisfeito a quem me perguntou. Assumo o compromisso de que várias crônicas de Raoval, com fatos marcantes na sociedade da capital pernambucana, na década de 1930, serão publicadas no Lugar do Souto.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

BRUXELLES REVISITÉE


Em 2008, esta é a segunda vez que eu venho a Bruxelas e não esperava fazer muita coisa, além de comparecer às reuniões de trabalho rotineiras. A curta permanência de cinco dias não iria dar para muito mais do que isso – pelo menos era assim que eu pensava. Enganei-me, porém.
A folga do trabalho, nesta quarta-feira, permitiu que fosse ao Palais des Beaux-Arts - que de uns tempos para cá passou a ser denominado simplesmente “Bozar” (sem o “Palais” e grafado desse modo). Já é praxe que sempre que vou ao Beaux-Arts encontro alguma exposição, um bom concerto vespertino, um recital - ou os três - que me agradarão e me farão passar deliciosas horas de entretenimento.
Hoje, não foi exceção.

O atual prédio do Bozar de Bruxelles data de finais da década de 1920 e foi concebido pelo arquiteto Victor Horta, um dos gênios da Art Déco, constituindo um dos muitos monumentos do arquiteto espalhados por Bruxelas.
Quando eu passei por lá esta tarde já tinha conhecimento de uma exposição sobre a Valônia (Wallonie) - a região francófona da Bélgica – com o título "Trésors anciens & nouveaux de WallonieCe curieux pays curieux", e decidi que a tarde seria toda para apreciar o que a Valônia tem de bom para nos mostrar. Entretanto, ao chegar ao Bozar, constatei que a exposição sobre a Wallonie estava associada a outra, essa sim, excelente, do pintor suíço Paul Klee.

O curador da exposição de Klee esmerou-se o máximo possível para apresentar as obras que estão sendo exibidas, entre outras razões porque a última individual do pintor aqui na Bélgica aconteceu em 1948, com os admiradores de Klee há muito reclamando dessa ausência.
A última exposição de Paul Klee em que eu havia estado foi, se não me engano, em Viena, em 2002 ou em 2003, mas a cada contato que tenho com a obra do genial pintor, suíço de nascimento, com forte influência dos mestres da Alemanha (país que o acolheu), mais me apaixono por ela. A arte de Klee é enigmática, colorida, moderna, filosofal mesmo.

Como podem ver, Bruxelas é uma constante surpresa e eu não me canso de descobrir as surpresas que ela tem para oferecer.



Para terminar, deixo estas curtas imagens tomadas hoje, à hora do almoço, na Grand-Place de Bruxelas. Apreciem o som da gente que passa e as maravilhosas obras arquitetônicas:


domingo, 23 de março de 2008

ILHÉU BOMBOM - S. TOMÉ E PRÍNCIPE




Passar uma semana em um país que tem como idioma oficial o português poderia não ter nada de especial, porque, afinal de contas, além de Portugal - que “inventou” a nossa língua - e do Brasil, mais seis países tropicais têm aquele que foi chamado de “Última flor de Lácio” como idioma de união nacional. Entretanto, na semana passada, tive o privilégio de estar em um país insular, constituído por duas ilhas - que lhe dão o nome - e por uns poucos ilhéus de rara beleza ainda não destruída. Refiro-me a São Tomé e Príncipe. A visita a esse país, do qual pouco se conhece no Brasil, fez a diferença nos meus conceitos sobre os países irmãos de origens lusófonas.
Por razões profissionais, desloquei-me à Ilha do Príncipe, que é a menor, a menos densamente povoada e a mais pobre das duas que compõem São Tomé e Príncipe. A ilha merece uma visita, seja para aproveitar as praias, conhecer o que resta das antigas roças de cacau,, visitar a cidade de Santo Antônio ou, ainda, para refletir no que poderá ser feito, em termos de cooperação, para com o povo daquele país, em especial o principiano, mais carente de capacitação e apoio em todos os níveis. A Unesco estuda um projeto para transformar Santo Antônio do Príncipe em patrimônio da humanidade e esse seria um primeiro passo, não só na revitalização do patrimônio arquitetônico mas, principalmente, na melhoria da qualidade de vida dos seus habitantes.
Além de trabalhar, conheci praias selvagens que não devem ser diferentes de como eram as do Brasil há quinhentos anos, quando os europeus começaram chegando por aqui. Entre muitas, destaco a praia do Ilhéu BomBom, a norte da Ilha do Príncipe, com excelentes condições de hospedagem em um resort bem preparado para receber os turistas que apreciam aventura (pesca submarina, montanhismo e muito mais).

Ir ao BomBom não é fácil. Primeiro, tem de se chegar a S. Tomé, via Lisboa, Luanda, Libreville ou Cabo Verde (a maneira mais prática, para quem sai do Brasil, é por Lisboa). A viagem de S. Tomé até à Ilha do Príncipe (40 minutos) é feita em um bimotor de segurança aparentemente suspeita e, do aeródromo local, é preciso enfrentar um caminho, que está mais para trilha do que para estrada, para, só então, chegar ao resort do Bom Bom ("Ufa").
Praias paradisíacas, frutas que pendem das árvores, ambas em profusão, papagaios que sobrevoam nossas cabeças em voo rasante, sol, chuva, tempestades, rios de águas límpidas. Todo esse primitivismo, junto com o barulho constante das ondas do mar, fazem com que o estresse ac
umulado desapareça no segundo dia de permanência no BomBom. A cidade de Santo Antônio, além da beleza natural que a circunda, tem um casario típico da colonização portuguesa que precisa urgentemente de restauração, para que se preservem as origens (que também são as nossas) e a identidade de uma cultura que marcou a história ocidental dos séculos XVI ao XIX. Lindo, muito lindo.


sábado, 8 de março de 2008

CARMEN MIRANDA NO RECIFE

CRÔNICA DE UM RECIFE DE OUTROS TEMPOS

"Se há uma noite que vai ficar marcada para sempre na história do Theatro Santa Isabel - um dos orgulhos de nossa capital -, vai ser, sem dúvida, a noite de hontem, sábado, 29 de outubro de 1932. O mesmo palco em que Castro Alves cantou em versos o seu amor por Eugênia Câmara, rendeu-se à exuberância e às marchinhas da pequena que o Rio de Janeiro nos honrou enviar, Carmen Miranda. Com tanto it e com tanto rebolado, quem não se renderia aos encantos daquela bonequinha carioca de apenas um metro e meio de altura ?

A platéia era constituída pelas melhores famílias de nossa sociedade, com as senhoras exibindo e pavoneando os seus chapéus e as senhorinhas, os solidéus, ambos dignos de fazer sucesso em Paris ou em qualquer outra capital da Europa. Entre as pequenas, destaco, pela elegância e candura, a senhorinha Alaíde de Castro Mello, que em breve será nora dos barões da Várzea. As torrinhas estavam repletas de moços, em sua maioria, estudantes, que entoaram gritos de “Morena do Céu”, tão logo Carmen adentrou o palco.

A minha Olivetti precisaria ter emoções em lugar de teclas para transcrever o delírio do nosso atheneu no momento de apresentação da cantora, que foi feita por ninguém menos do que o poeta pernambucano de Palmares, Ascenso Ferreira. A muito custo, consegui copiar no meu caderninho algumas passagens do verbo ilustre do autor de “Catimbó”. Ascenso subiu ao palco e introduziu Camen Miranda ao público do Santa Isabel, em inesperado momento de silêncio: “Com ela, a tragédia foi morta pelo bom humor e a tristeza nativa mudou-se em festa de batuque e bombos”. Ainda me emociono quando transcrevo o final da apresentação que o poeta "recitou" com aquele vozeirão característico: “Deus permita que tu botes diamantes pela boca”. E botou mesmo, diamantes em forma de canções!

Morena do Céu, Morena do Céu” aclamavam os recifenses, enquanto jogavam serpentinas no palco, embevecidos com a beleza da cançonetista (refiro-me, em particular, aos cavalheiros) e cheios de orgulho quando ela "rasgou" a canção "Eu gosto da minha terra". A noite memorável terminou com um buquê de lindas flores entregue a Carmen Miranda pelo Interventor Carlos Lima Cavalcanti, que nem parecia a alta autoridade que ele é, tão grande era a alegria e tão visível o orgulho que demonstrava, sem dúvida por estar ao lado da cantora.

Esta manhã, fui informado de que Carmen também recebeu um ramalhete sem cartão identificador, provavelmente do mesmo admirador oculto que tem passado os dias de “tocaia” nos arredores do Hotel Central, onde ela está hospedada. Será que tem algum mistério na vida de Carmen Miranda?

A ilustre cantora carioca (que há alguns anos declarou ter nascido em Portugal) chegou ao Recife, vinda de Salvador, no vapor Ruy Barbosa e só voltará à Cidade Maravilhosa depois do dia 5 de novembro, desta feita no luxuoso Zelândia. Quem ainda não viu o espetáculo, vá ver e não se arrependerá.

Senhoras e senhorinhas, minhas fiéis leitoras destas mal traçadas linhas de todos os domingos, concluo esta crônica com a ousada afirmação de que - com a presença de Carmen Miranda na terceira maior metrópole do Brasil - até o astro Will Rogers, que também está entre nós, ficou em segundo plano. Perdoem-me as admiradoras de Will...

Recife, 30 de outubro de 1932 -
Raoval Berior"

sábado, 1 de março de 2008

DOM JOÃO I, REI DO BRASIL - 1ª parte


Não, eu não esqueci de colocar o cinco (V) antes do número um (I) romano, a seguir ao nome de Dom João de Bragança. Foi assim mesmo que eu quis e é assim mesmo que eu pretendo escrever, nesta série de postagens, o nome daquele que foi Chefe de Estado em Portugal (VI) e também no Brasil (I), no início do século XIX.

O Príncipe Regente, Dom João de Bragança, chegou ao Brasil há 200 anos e o “Lugar do Souto” não poderia calar sobre o fato que marcou a nossa identidade, nem esquecer do homem que tomou a decisão de mudar a capital de uma Corte europeia para uma cidade na América do Sul.

A informação mais conhecida é a de que o embarque de milhares de pessoas, no final do ano de 1807, fora algo decidido de última hora, uma atitude irresponsável e inconsequente, motivada pelo pânico de um Príncipe fraco que reinava em nome de sua mãe, doente mental e que a mudança às pressas da capital fora por medo do exército de Napoleão Bonaparte, que já havia ocupado a Espanha, destronado o seu rei e que estava em Portugal com o mesmo objetivo. Por motivos os mais variados, é assim que muitos historiadores descrevem a partida da Corte para o Brasil, sem salientar o fato de que a decisão de partir fora meticulosamente pensada, analisada, discutida, adiada.


Muito já se escreveu sobre os dois ou três dias anteriores ao embarque e sobre o próprio dia em que as naus deixaram o porto de Belém, em Lisboa. Pouco, porém, foi escrito sobre as razões, os planos e a estratégia da partida, uma decisão difícil e única na história de Portugal, na da Europa e na de toda a Cristandade. Transferir para o Novo Mundo uma corte com sete séculos de existência, levando junto a cultura, a arte, os tesouros, a religião, a máquina administrativa e os sonhos de um povo não era uma tarefa fácil e, depois de tomada a decisão, a azáfama do embarque é mais do que justificada pela presença das tropas do General Junot às portas de Lisboa. Não tivesse sido tão rápido o embarque, as tropas francesas teriam interceptado os navios, que apenas ficaram a ver quando chegaram à capital lusitana.



A viagem transatlântica sob guarda britânica, os problemas com os ventos contrários logo à saída - com a subsequente separação das naus -, as tempestades, os piolhos, a passagem pela costa de Pernambuco, a escala para descanso em Salvador da Bahia e a chegada ao Rio de Janeiro a 7 de março de 1808, têm sido objeto, nos últimos duzentos anos, de um sem número de livros e de crônicas específicas, em especial em datas comemorativas como a que agora ocorre. Alguns setores da nossa mídia sempre tiveram uma certa atração em "caricaturar" o momento histórico da chegada da corte e, principalmente, a figura do Príncipe Regente. Nada de mais injusto, pois é a ele que se deve a unidade nacional, a identidade que nos distingue dos países vizinhos e o “salto” cultural e econômico dado entre 1808 e 1821, único na história do Brasil.

Em 2008 e nos próximos anos, o Brasil celebrará os seguintes eventos:

duzentos anos de criação da Imprensa Nacional,

duzentos anos da abertura do nosso comércio internacional (ainda tão incipiente no contexto global),

duzentos anos das Alfândegas do Brasil (hoje, inserida na Secretaria da Receita Federal do Brasil),

duzentos anos da primeira fábrica de pólvora (comentários à parte),

duzentos anos da Biblioteca Nacional,

duzentos anos do Banco do Brasil,

duzentos anos do Museu Histórico Nacional,

duzentos anos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Será preciso enumerar mais?

Quem foi o Chefe de Estado que incentivou e autorizou a criação de todas essas instituições? Dom João de Bragança, Príncipe Regente e, depois da morte da mãe, Rei Dom João do Brasil e de Portugal. O Brasil monárquico teve, além dos Imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II, filho e neto, respectivamente, de Dom João, dois Chefes de Estado com o título de Rei (ou Rainha): Dona Maria I e Dom João I.




Por razões que se justificavam nos anos seguintes à independência, mas que não se justificam quase dois séculos mais tarde, procurou-se apagar da memória coletiva qualquer elo histórico com Portugal. O período do Reino Unido é um desses elos, daí as referências serem sempre a Dom João VI, Rei de Portugal e não a ele como Rei do Brasil. Não se deve, entretanto, esquecer que esse homem que nascera em Portugal tinha o Brasil como sua pátria de coração e o governava sob o título de Rei. O distanciamento atual nos permitie perceber que mais do que um bom Rei para Portugal, ele foi um excelente Rei para o Brasil. Amou tanto o seu reino que não o queria deixar, mas Reis não são (ou não eram) pessoas com vontade própria e o dever de Estado o chamava de volta a Portugal. Dom João I deixava o Brasil e Dom João VI chegava a Portugal.


No decorrer deste ano de 2008 darei uma visão pessoal sobre o personagem histórico e sobre o homem João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís Antônio Domingos Rafael de Bragança e tentarei discernir as razões pelas quais alguns críticos históricos transmitiram às gerações futuras uma imagem tão grotesca do homem, esquecendo os seu feitos como grande Chefe de Estado no Brasil.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

BRAVO MARION COTILLARD

10 février 2008
"Après avoir gagné un Golden Globe, Marion Cotillard a remporté le trophée de la meilleure actrice aux BAFTA (British academy of Film and Television Arts), pour sa prestation dans La Môme. L'actrice française était en compétition avec Julie Christie, Keira Knightley. Cate Blanchett et Ellen Page".

22 février 2008
"Ce soir, à Paris, Marion Cotillard vient
de remporter le César de la meilleure actrice dans le grand spectacle du cinéma français (La nuit des Césars)".

24 février 2008
"Marion Cotillard a remporté l’Oscar de la meilleure actrice à Hollywood pour son rôle d’Edith Piaf dans «La Môme»".

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Il y a quelques mois (le 23 septembre 2007), le «Lugar do Souto» a posté un commentaire à propos de la prestation de Marion Cotillard dans «La Môme» et de la possibilité qu’elle aurait d’être récompensée à l’avenir. L'avenir est arrivé...

J’insiste sur le fait que je ne suis ni spécialiste en cinéma ni doté du don de la prévision, mais voici les résultats qui confirment le texte que j’ai écrit en septembre de l’année passée :

Le GOLDEN GLOBE (voir commentaire du 14 janvier),
Le
BAFTA
Le
CÉSAR
L’OSCAR

L’interprétation de Marion Cotillard dans le rôle d’Edith Piaf est tellement superbe que le monde du 7ème Ars a succombé à ses pieds.
Félicitation à la grande star !


sábado, 23 de fevereiro de 2008

MAIS MISTÉRIO NO PARQUE HOTEL*

(continuação)



O ascensorista parecia embevecido com o ponteiro (se é que assim podemos chamar) que, ao alto da porta, indicava o andar em que o elevador estava, pois em nenhum momento baixou o olhar daquele indicador. Alexandra, depois de ter tirado o chapéu, arrumava os negros cabelos, deixando mais à mostra toda a beleza do seu rosto. O chanel inebriante, a que me referi há pouco, inundava o ambiente a cada um dos seus delicados gestos e eu, pobre de mim, estava petrificado, hipnotizado, embriagado com a beleza e com o perfume.

Segundo piso!”, anunciou o ascensorista. A Condessa de Leicester saiu do elevador sem nem ao menos olhar para trás. Ingrata! Antes mesmo que eu chegasse ao meu quarto, ela já abria a porta do vinte e cinco e chamava pelo filho, "Timothy, Timothy!" Quando me aproximei da porta daquele que agora era o meu refúgio, pude notar que ambos conversavam e riam divertidamente. Foi a muito custo que não fiquei parado, para tentar ouvir o que mãe e filho falavam. Noblesse oblige. Fechei a porta.

Mal eu havia começado uma desesperadora busca para encontrar a máscara trazida de Veneza há mais de dois anos, a campainha do quarto tocou. Passado o susto provocado pela estridente campainha (nunca antes havia me assustado), abri a porta e deparei com a camareira que trazia nos braços - como se um tesouro fosse - a Tenue de Gala, de uso obrigatório na soirée da noite. Com uma voz quase inaudível, a funcionária do Parque Hotel que, pelo uniforme diferenciado, deveria ser a chefe das camareiras, pediu autorização para colocar a vestimenta sobre a cama. Com um gesto indiquei que sim e continuei a procurar a máscara.

Depois de alguns instantes notei que a camareira ainda não havia saído e, quando me voltei, deparei com ela parada, com o olhar fixo em mim, como se estivesse diante de um fantasma. Ao virar-me para ela, imediatamente baixou a vista. O tom de sua pele era de um moreno muito claro e deveria ter cerca de sessenta anos, pouco mais ou menos. Não era alta nem baixa e os cabelos brancos faziam com que a touca que usava passasse despercebida em meio a tanta alvura. Imaginei que a razão da espera seria para receber algumas moedas, comecei a procurá-las na algibeira e ela, sem levantar os olhos do chão, perguntou em um português com forte acento castelhano ─ “Vossa Excelência é do Brasil, não é?”

Fiquei tão surpreso com o fato de uma simples camareira dirigir-se a um hóspede, que não respondi de imediato, Ao se dar conta do descumprimento de uma das regras básicas da hotelaria, ela quase que foi ao chão, em uma vênia reverencial, para pedir desculpas pelo atrevimento da pergunta. ─ “Ora essa, afinal não foi tanto atrevimento assim. Sim, sou brasileiro, como já o deveria saber. E, pelo que ouvi, você também é”, concluí. Em lugar de resposta à pergunta que eu fizera, fui surpreendido (e como!) com outra pergunta. ─ “Vossa Excelência é da Província de Pernambuco?”
Embora, eu começasse a ficar irritado com o interrogatório, acenei afirmativamente. Não sei se deveria ter respondido ou não, já que depois daquela resposta ela levantou o olhar e fixou nos meus olhos, o que muito me perturbou pela insolência e por algum outro motivo que ainda não sei qual. ─ “Desculpe, mas preciso começar a aprontar-me para o baile de logo mais e não posso ficar aqui com conversas sobre as minhas origens”, disse-lhe eu, já em tom bastante ríspido. De nada adiantou, pois ela continuou, para minha estupefação, ─ “Sem dúvida que é o filho mais velho do Barão da Várzea, ou estarei errada?” Sentei no pufe que estava ao meu lado, para não demonstrar surpresa, e disse ─ “Como sabe?” ─ “Impossível não ser, Vossa Excelência é a cópia fiel do que era o senhor Barão há quatro décadas atrás,” afirmou a camareira.

Tanta coincidência, somando-se a tudo o que eu já havia vivido naquele sábado, fez com que eu ficasse sem reação. Ela aproveitou e continuou, ─ “Meu pai era o feitor do do senhor seu avô e minha mãe, a dama de quarto da Baronesa, avó de Vossa Excelência. Nasci perto do engenho e passei lá a infância e parte da juventude. Até hoje lembro do cheiro da terra e ainda sonho com o fruta-pão quentinho que a minha mãe fazia para o nosso desjejum. Os meus pais desapareceram em uma queimada do canavial, nunca encontraram os corpos e eu, sem mais ninguém, vim para estas terras, em um vapor de que já esqueci o nome.”

Era informação demais para o meu cérebro assimilar em tão pouco tempo. Olhei mais uma vez aquela mulher de expressão facial tão sofrida, mas que conservava ainda traços que indicavam o quanto deveria ter sido bela, e disse-lhe ─ “Conversaremos em outra ocasião”. Ela já se retirava, quando eu resolvi perguntar: “Qual é o seu nome e em que ano você veio para o Uruguai?” ─ “Isabel, senhor e saí de casa no dia em que alguns comemoravam os três anos do golpe republicano que expulsou os nossos Augustos Imperadores, 15 de novembro de 1892. Em breve, completarei quarenta anos de nova pátria. Com licença”. Dito isso, ela desapareceu no hall de mosaicos azuis acinzentados.


Recomecei a busca da máscara veneziana, voltei a pensar em Alexandra e decidi que iria investigar a história daquela mulher quando voltasse para Pernambuco. Meu pai deveria lembrar de alguma coisa. Pensei melhor e resolvi que iria perguntar à mamãe, pois o velho Barão da Várzea - meu pai -, nos seus setenta e oito anos, já não lembrava de muita coisa do passado (ou não queria lembrar).

Decidi então que, a partir daquele momento, eu me concentraria apenas no baile e em divertir-me, pois no dia seguinte, 10 de julho, seria o meu aniversário de quarenta anos (pena que ninguém no hotel soubesse!).

Camareira? Brasileira? Monárquica? Eu não tinha mais dúvidas. Fora ela a pessoa que conseguira os nomes dos moradores do quarto vinte e cinco do Parque Hotel.


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*Os mistérios no Parque Hotel já foram contados em três postagens anteriores: 27 de outubro, 3 e 11 de novembro de 2007.
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

RESPETUOSA SALUTACIÓN, COMANDANTE

Abajo se transcribe una pequeña parte del mensaje, publicado hoy en los periódicos cubanos, del Comandante en Jefe Fidel Castro. Por respeto al grande hombre y jefe de la nación cubana, “Lugar do Souto” optó por no hacer comentarios.
Hasta siempre Comandante!


“[...] A mis entrañables compatriotas, que me hicieron el inmenso honor de elegirme en días recientes como miembro del Parlamento, en cuyo seno se deben adoptar acuerdos importantes para el destino de nuestra Revolución, les comunico que no aspiraré ni aceptaré- repito- no aspiraré ni aceptaré, el cargo de Presidente del Consejo de Estado y Comandante en Jefe. [...]”

“[...] Mi deseo fue siempre cumplir el deber hasta el último aliento. Es lo que puedo ofrecer [...]".

"[...] Mi más profunda convicción es que las respuestas a los problemas actuales de la sociedad cubana, que posee un promedio educacional cercano a 12 grados, casi un millón de graduados universitarios y la posibilidad real de estudio para sus ciudadanos sin discriminación alguna, requieren más variantes de respuesta para cada problema concreto que las contenidas en un tablero de ajedrez. Ni un solo detalle se puede ignorar, y no se trata de un camino fácil, si es que la inteligencia del ser humano en una sociedad revolucionaria ha de prevalecer sobre sus instintos. [...]”

"Mi deber elemental no es aferrarme a cargos, ni mucho menos obstruir el paso a personas más jóvenes, sino aportar experiencias e ideas cuyo modesto valor proviene de la época excepcional que me tocó vivir. [...]

"Pienso como Niemeyer que hay que ser consecuente hasta el final. [...]"

"[...] No me despido de ustedes. Deseo solo combatir como un soldado de las ideas. Seguiré escribiendo bajo el título "Reflexiones del compañero Fidel" . Será un arma más del arsenal con la cual se podrá contar. Tal vez mi voz se escuche. Seré cuidadoso .
Gracias"

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

ADIEU HENRI SALVADOR

No início desta semana, o mundo musical perdeu um grande showman e uma das vozes mais marcantes da segunda metade do século XX: Henri Salvador, nascido na Guiana mas que muito jovem foi morar em Paris.

Le crooner à la voix de velours, como dizem em seu país, foi um dos maiores influenciadores da bossa nova brasileira, ritmo que divulgou, tanto quanto os nossos intérpretes, na França e em toda a Europa Ocidental. E no Brasil, será que ele é conhecido, será que tem o mérito que merece?

Em 2001, não lembro bem em que mês, mas creio que em março ou abril, saí de Bruxelas, em uma manhã particularmente fria e com chuva fina, para ir a uma apresentação de Henri Salvador, em Paris, com o ingresso adquirido havia pelo menos três meses.

Que fim-de-semana sensacional! Era muito cedo quando entramos no Thalys, eu e um amigo da longínqua Romênia que morava em Bruxelas, conhecedor razoável e apreciador entusiasmado de nossa cultura, em especial do cinema e da música. Em Paris, deixamos as nossas tralhas em um hotel do Marais e saímos em seguida para descobrir a cidade que acordava agitada e se preparava para mais um sábado repleto de turistas. Fomos diretamente para a Place des Vosges - um dos meus refúgios favoritos - tomar um chocolate quente, ler os matutinos e aquecer o corpo e a alma. À hora do almoço, já em companhia de um outro amigo brasileiro do Recife e hoje de saudosa memória, atravessamos a Île-de-France (ou a Île-de-Saint-Louis ?) e fizemos uma refeição ligeira em Saint-Germain-des-Près. Depois de muito andar para lá e para cá, fomos à noite para o Olympia, onde a festa começava desde a fila de entrada, pois a quantidade de brasileiros era enorme.

Henri Salvador chegou à hora exata, notou a plateia franco-brasileira e começou com uma das nossas músicas (que não lembro mais qual era). Em seguida, passou a cantar vários blues, voltou à bossa nova, fez comédia, dançou e encantou a todos. Salvador cantava e fazia o público não só cantar, mas também dançar com ele.

Em menos de sete anos tanta coisa mudou! Mudou em Paris - agora sem Henri Salvador -, em Bruxelas, em Braïla, com o Danúbio mais triste, no Recife - sem tantos amigos que partiram -, em Nova Iorque, sem as torres gêmeas e ... em mim (e como mudou!) ..., sem a companhia de tantas pessoas queridas!

Que importa se o tempo passou, se as pesoas passaram se o mundo mudou. Aquele sábado de março ou abril de 2001 foi um grande dia e uma noite memorável. A voz de Henri Salvador ainda ecoa nos meus ouvidos e a força de palco daquele octagenário nunca mais sairá de minhas recordações.

Não deixem de acessar o link a seguir e descubram um Henri Salvador inusiitado, divertido, fantástico:

http://www.youtube.com/watch?v=6gl-7fbIrpQ

Adieu monsieur Salvador. Adieu voix de velours.
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domingo, 10 de fevereiro de 2008

LE PALAIS DE LA CAMBRE À BRUXELLES

Les dictionnaires électroniques, notamment le Wikipédia, ont aidé à retrouver les origines historiques de mon adresse à Bruxelles. Depuis 1999 jusqu’au mois de juillet 2004, j’ai vécu au quatrième étage du numéro 66 de l’avenue Émile Duray, de l’autre coté du jardin de l’Abbaye de la Cambre. C'etait un temps de bonheur et de mystère, mais le temps change à la fin de chaque jour et les jours passent vite. L’espoir du retour reste toujours vivant dans mon esprit. *













L’avenue Émile Duray se situe à Ixelles, à la ville de Bruxelles.
Elle fut tracée en vue de l’Exposition Universelle de Bruxelles en 1910 qui se tint à la pla
ine du Solbosch entre l’avenue des Nations, actuelle avenue Franklin Roosevelt, et l’avenue Adolphe Buyl. Elle fut dans un premier temps appelée avenue Courbe en 1909 par allusion à son tracé, ensuite avenue de la Patrie et enfin avenue Émile Duray. Les autorités communales avaient par cette dénomination, choisi d’honorer un mandataire public ixellois : conseiller communal, échevin en 1900 et bourgmestre de 1904 à sa mort en 1918, il fut aussi président du Conseil provincial.

Le principal ornement de cette avenue est l’immeuble construit par Camille Damman en 1922-1923, au n° 62 - 68 de cette avenue et 4 de l’avenue de Folle Chanson.

Connu avant-guerre sous le nom de Palais de la Cambre, cet immeuble présente un bon équilibre en soucis décoratif et rigueur architecturale. En effet, à la hauteur du quatrième étage, l’édifice s’adorne de figures allégoriques, le Commerce et l’Industrie, dues au ciseau de Jacques Masin. Chacune des entrées principales est rehaussée d’un tympan sculpté.
*À propos de Bruxelles, voir aussi un post du 21 octobre et un autre du 1er décembre 2007 (en portugais).


Du soleil et de la neige au Palais de Cambre.


O CRIME DO PADRE HOSANA

Crônica de título mais adequado para um livreto de literatura de cordel do que para uma postagem despretensiosa de um blogue da era da informática.

Que a Natureza é sábia todos sabemos e que a expressão é uma das campeãs do lugar comum, também sabemos. Mesmo assim, não resisto em começar a nossa conversa de hoje com a afirmativa de que “a Natureza é sábia”, para mim, de conteúdo tão sábio quanto o que ela afirma sobre a Natureza. E por que razão eu resolvi hoje enaltecer a sabedoria da Natureza, mãe primeira de todos nós?

Tudo começou quando a minha memória, tão louvada por quem me conheceu jovem, passou a dar sinais de que já não era mais a mesma, primeiro, sem saber onde havia deixado os óculos, cem seguida, com o nome de um ou de outro novo colega a escapar-me nos momentos menos propícios e, também, por muitos outros sinais. Título de filme e nome de atores, aí nem se fala – uma catástrofe! Tomei um susto quando não consegui recordar o nome da atriz que estava a minha frente na tela do televisor e que eu, há muitos anos, estava habituado a ver quase diariamente!


Pensei, pensei e cheguei à conclusão de que não era devido à queima de alguns poucos neurônios que eu esquecia os fatos do cotidiano, mas sim porque a memória, por conta própria e para me ajudar, resolvera ficar seletiva e decidira só guardar em suas inúmeras caixinhas o que realmente interessava e poderia ser útil (útil para mim, não para ela). Gesto altruísta como este eu nunca havia visto antes! Ela aceitou ser enxovalhada, chamada de velha, de mais disso e daquilo, só para proteger o seu parceiro de tantos anos, neste caso, eu. Para quê e por qual motivo devo lembrar do que não me interessa? Obrigado dona memória!

Por outro lado – e aí entra a sabedoria da Natureza acima referida -, fatos ocorridos em um passado de quatro, cinco décadas (ou até um pouquinho mais) ressurgem em minha mente como que saídos do nada e sem motivo aparente. Sem motivo aparente para mim, mas com todos os motivos do mundo para ela, amemória. Se me perguntarem agora o tom do azul da fantasia de pierrô que eu vestia aos dois ou três anos de idade, poderei até não o saber descrever, mas vizualizo aquele tom com uma clareza que chega aos mínimos detalhes. Parece que ainda escuto a minha mãe dizendo que se eu não tomasse a sopa, não me vestiria de pierrô e eu, por outro lado, na minha inocência, a chantageava e só tomava a sopa depois de assumir a "fantasia" de pierrô, com cone na cabeça e tudo o mais a que tinha direito.

E as idas ao Horto de Dois Irmãos? Acordo, às vezes, no meio da noite com as imagens dos passeios dominicais que o meu pai organizava sempre de última hora e que, quando não havia nada de melhor, terminavam sempre em Dois Irmãos. É engraçado, que eu não tenha notado há mais tempo o lado "biólogo" do papai, e só agora perceba que as idas a jardins zoológicos sempre o atraíram, no Recife ou em Lisboa,. Era por uma visita ao zoológico de Lisboa que ele sempre iniciava as suas temporadas em Portugal. Pois bem, quando acordo no meio da noite e recordo os passeios ao zoológico recifense, sou capaz de vivenciar cada trilha percorrida, cada animal visitado, e até de sentir o sabor do guaraná com sanduíche de queijo que lanchava no bar do açude (seria um açude ou um lago? Existe diferença entre ambos?), cheio de peixes-boi que ficavam à espera das migalhas de pão. Que época boa, na qual não se precisava ser tão politicamente correto assim e alimentar animais ainda não era uma incorreção política!

Lembro também, como se tivesse sido ontem, de acompanhar, ao fim da tarde o “Capitão Gaibú”, na rádio "Pr A 8" e, à noite, “Jerônimo, o Herói do Sertão”, este na rádio "Jornal do Commércio". Sei até que o ator radialista que interpretava Jerônimo se chamava Geraldo Liberal. E haja memória boa!

A condenação à morte de Chessman, o drama vivido pela princesa Soraya, a trágica morte de Aída Cury e as fotos de Ronaldo e de Cássio, que tanto me impressionaram, são fatos e imagens que a memória insiste em mostrar-me como se tivessem ocorrido ontem.

“Dizem que recordar é viver, mentira, deixem falar, recordar é ter de morrer por não poder mais voltar”.

Mas quem foi o Padre Hosana e que crime foi esse que ele cometeu e que serve de título à postagem?

Xi, esqueci! Não faz mal, quando eu lembrar, eu conto. Vou perguntar à dona memória. Podem aguardar, porque o crime deu muito o que falar...
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

BRUXELAS NESTE FIM DE JANEIRO

Quando saí de Bruxelas, no dia 1º de dezembro passado, a perspectiva era de só estar de volta em março deste ano. Hoje, 30 de janeiro, menos de dois meses depois, da última visita, estou de novo no meu habitual flat do Quartier Louise. Ótimo!
Vir a Bruxelas é sempre "ótimo", ao menos para mim. A já familiar atmosfera das ruas, praças, parques e avenidas agrada-me e me deixa feliz, por recordar o tempo em que aqui morei. Apesar disso, concordo com os críticos que dizem que a cidade está bastante deteriorada nos últimos anos dos vinte e um em que tenho vindo à capital belga (as visitas profissionais começaram em novembro de 1986). Problemas sociais antes inimagináveis, como, por exemplo, a sujeira das ruas centrais e uma relativa sensação de insegurança para quem caminha em alguns locais e em horas avançadas da noite. Essa realidade, resultante do aumento populacional, do distanciamento cada vez maior entre ricos e pobres, da descolonização em África e da queda do comunismo na Europa de Leste, ocorre em quase todas as cidades que conheço, exceto em algumas poucas na Suíça. Preço muito alto que as gerações do final do século XX e do começo do século XXI têm de pagar pela políticas praticadas nos últimos duzentos anos. Desgraças sociais e mazelas à parte, a qualidade de vida em Bruxelas ainda é das melhores no mundo e o stress passa ao lado de quem souber relaxar.

Para não deixar passar em branco os seis dias em que estou aqui, fui a duas exposições que a seguir descrevo:



AO REDOR DO GLOBO: PORTUGAL NO MUNDO NOS SÉCULOS XVI E XVII.




Esta exposição foi organizada no âmbito da Presidência Portuguesa da União Europeia – junho a dezembro de 2007 – para mostrar aos belgas o império lusitano e a abertura a um mundo novo, como consequência dos descobrimentos portugueses. As 180 peças expostas referem-se a vários aspectos do próprio Portugal, da África Ocidental e Central, do Brasil, do Oceano Índico, da China e do Japão. Excelente mostra, principalmente para quem for de cultura lusófona, que nos permite observar o mundo como ele era há mais de quinhentos anos, época de mudanças e do início da miscigenação cultural. A exposição “Ao redor do Globo” está em cartaz no Bozar de Bruxelas, até o dia 3 de fevereiro próximo.



SARA E SEUS IRMÃOS.

Exposição a não perder, que tem por tema o judaísmo e versa sobre os Kaliski, uma família de artistas que foi testemunha da história judaica no século XX. A loucura dos homens, a paixão dos artistas que afrontam a violência e a transformam em palavras e em imagens, de uma beleza cruel e doce, adjetivos que são símbolos da própria dicotomia da vida. Em cartaz até 24 de fevereiro.


Gostaria de ter visto mais coisas e de ter visitado o Museu de Belas Artes - de que tanto gosto - mas o excesso de trabalho, além de alguns jantares (excelentes como sempre) com antigos amigos, não me permitiram grandes escapadelas.

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

SUZANNE PLESHETTE - - 31 JANEIRO 1937 - - + 19 JANEIRO 2008



Quem lembra da atriz Suzanne Pleshette?

No Recife, de onde escrevo este texto, talvez poucas pessoas - diria mesmo, muito poucas - devem saber quem foi essa atriz, falecida no último fim de semana, em Los Angeles. Provavelmente, só os cinéfilos de carteirinha - ou quem foi jovem nos anos sessenta - recordem a biografia ou a curta filmografia de Suzanne Pleshette, que, ao contrário era bastante conhecida nos Estados-Unidos, principalmente pelo trabalho realizado, na década de 1970, em seriados da televisão. A participação da atriz no cinema foi rápida e inexpressiva.

Inexpressiva, eu disse? Estou sendo ingrato demais com a memória de uma atriz que, passados 44 anos, eu ainda lembro da atuação em um dos filmes ícones de minha juventude: “O Candelabro Italiano”*. Pelo menos para mim, o seu tipo de mocinha inocente permaneceu bem vivo na memória - nunca esqueci de O Candelabro Italiano. Imaginem vocês que, durante as inúmeras semanas que esteve em cartaz no Cinema São Luiz, na cidade do Recife, eu assisti ao filme umas cinco ou seis vezes.

Suzanne Pleshette, à época, era casada com o americaníssimo Troy Donahue, o mocinho louro do filme. O amor de ambos em O Candelabro Italiano, aliado à música e ao maravilhoso cenário da Itália foram responsáveis por litros de lágrimas vertidas pela juventude romântica daquele tempo. Depois que o filme saiu de cartaz, nada mais up to date do que pedir um Strega ao lado da pessoa de quem se estava enamorado (lembram dessa cena do filme?).

Suzanne Pleshette, mais tarde, participou de “Os Pássaros” (“The Birds”), de Alfred Hitchcock e não há mais nada de destaque na sua filmografia. O Candelabro Italiano bastou para que ela entrasse na história.

Morreu a atriz, morreu o romantismo de uma época, morreu uma maneira de ser, nasceu outra ... e assim caminha a humanidade... (terrível essa frase, não?).

Que saudade de tomar o amarelo "Liquore Strega", de ouvir "Al Di Lá"
e, principalmente, que saudade de estar enamorado! Sem dúvida de que eu e todos os de minha geração precisamos de, ao menos uma, ou algumas vezes, ainda, voltar a beber Strega e a estar enamorado. Faz bem às coronárias.

Vamos deixar o lado simplório de nossa alma (se é que ser romântico é ser “simplório”) alçar voo e escutemos a música no link a seguir :


http://www.youtube.com/watch?v=Wx2XTeO9r8w

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* Não lembro, nem encontrei na Internet, o título do filme em inglês. Seria "A Roman Adventure"?

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

BRASIL - CURTAS DE ECONOMIA E DE SAÚDE PÚBLICA

Destaques em dois importantes jornais europeus:

“El País”, de Madrid - La fiebre amarilla se cierne sobre el turismo en Brasil. Argentina Uruguay y Paraguay aconsejan la vacunación tras la muerte de un español en Goiás.

“Le Monde”, de Paris: Brésil, Fièvre jaune, 5 morts.

Yahoo news: O número de casos de febre amarela registrados este ano no Brasil já é o maior desde 2003. Hoje foram confirmadas mais quatro infecções, duas delas fatais, o que totaliza 10 casos comprovados e sete mortes. Há ainda 12 casos suspeitos em investigação - um deles registrado hoje - e sete infecções descartadas.
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Enquanto isso, na área da Economia, as notícias são menos assustadoras:

Crescimento da economia brasileira

Impulsionada pelo consumo interno, por um cenário favorável aos investimentos e com demanda externa aquecida, a economia brasileira crescerá 5% neste ano de 2008. A liderança na expansão será da indústria, com crescimento de 5%, seguida de perto pela a agropecuária, 4,8% . O setor de serviços terá um crescimento de 4,5%. Que faz essas previsões é o documento “Economia Brasileira Desempenho e Perspectivas”, divulgado recentemente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

As previsões da CNI estão acima das divulgadas pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) que calculam um crescimento da nossa economia de 4,8% no ano em curso. Já analistas ouvidos pelo Banco Central projetam uma elevação de 4,7% no PIB (Produto Interno Bruto).

Brasil vence disputa de cortes de carne de frango salgado.

O Governo e a Indústria do Brasil conseguiram, em outubro de 2007, uma vitória importante na Organização Mundial de Aduanas (OMA) que praticamente afasta o risco de a tarifa européia sobre suas exportações de cortes de carne de frango salgado sofrerem alta, uma vez mais, de 15,4% para 70%. A OMA - que, entre outras funções aduaneiras -, classifica os produtos para a imposição de tarifas, foi palco de uma verdadeira batalha técnica sobre adição de sal no frango. Nesse confronto envolvendo milhões de dólares, o Brasil primeiro enfrentou a União Europeia, em seguida, os Estados Unidos e o Japão (ao mesmo tempo).

O Brasil detém 64,5% da cota total de 264.245 toneladas de frango salgado na União Europeia, com tarifa de 15,4%. Para vendas fora da cota, a alíquota será de 1.300 euros por tonelada. O Brasil ficou com 160.807 toneladas e a Tailândia, com 92.610.

Após mais de dois anos de discussões na Organização Mundial do Comércio (OMC) e na Organização Mundial de Aduanas (OMA) e duas votações nesta última (ambas com vitórias do pleito brasileiro), o caso está encerrado desde de 1º de janeiro deste ano, por decurso do prazo para interposição de reservas, sem que as partes em lide com o Governo do Brasil tivessem contestado a última decisão dos Membros da OMA.

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terça-feira, 15 de janeiro de 2008

CUBA HOY

Nesta postagem, optei por ilustrar a visita do Presidente do Brasil à República de Cuba com textos e fotos coletados na imprensa oficial daquele país irmão caribenho.

O periódico cubano
informa em sua edição de hoje:

"Presidente de Brasil inicia visita oficial a Cuba

La Habana, 15 ene (PL).— El presidente de la República Federativa de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, cumple hoy una intensa agenda de trabajo a Cuba, que incluye la ceremonia oficial de recibimiento y conversaciones con el primer vicepresidente Raúl Castro.
Lula da Silva arribó la víspera al aeropuerto internacional José Martí, de esta capital, procedente de Guatemala, donde participó en los actos de toma de posesión del nuevo presidente de ese país, Alvaro Colom.

El mandatario llegó acompañado de una amplia delegación integrada por varios ministros y altos funcionarios, y fue recibido por el canciller Felipe Pérez Roque y otros dirigentes del gobierno y estado cubanos.
Integran la comitiva los titulares del Exterior, Celso Amorim, de Desarrollo, Comercio e Industrias, Miguel Jorge; de Educación, Fernando Haddad, de Salud, José Gómez Temporao; y el presidente de Petrobras, José Sérgio Gabrielli de Azevedo.

La agenda de Lula da Silva incluye, además, una ofrenda floral al héroe Nacional José Martí y un recorrido por el memorial que rinde homenaje al Apóstol en la Plaza de la Revolución de la capital cubana.
Como parte de las conversaciones oficiales con las máximas autoridades de la isla, el estadista brasileño firmará importantes acuerdos en áreas de interés común.

Esta es la segunda visita oficial que realiza Lula a Cuba como presidente. La primera se efectuó en septiembre del 2003. Con anterioridad había viajado a la isla en varias ocasiones desde su posición de líder del Partido del Trabajo. Brasil es el segundo socio comercial de Cuba en la región y octavo en el intercambio total.

En el contexto de estos nexos, en Brasil prestan servicios 33 colaboradores cubanos de los sectores de la Salud, el Deporte, la Educación Superior y la Cultura, al tiempo que 44 colaboradores participan en la zona de la Amazonía en el combate contra la malaria.
Nuestro país ha graduado a 456 estudiantes brasileños y en la actualidad se forman aquí 902 becarios, entre ellos 475 en la Escuela Latinoamericana de Ciencias Médicas."


Matéria do "Juventud Rebelde":

"El General de Ejército Raúl Castro Ruz, Primer Vicepresidente de los Consejos de Estados y de Ministros, recibió hoy a Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente de la República Federativa del Brasil, en el Palacio de la Revolución. Ambos dirigentes sostuvieron conversaciones oficiales y firmaron varios acuerdos en áreas de interés común."

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

MARION COTILLARD - A CONFIRMAÇÃO





No dia 23 de setembro de 2007, encerrei a postagem de título “PIAF – UM HINO AO AMOR” (“LA MÔME”) com a seguinte afirmação:

[...] Marion Cotillard, repito, está magistral na interpretação de Piaf, desde a adolescência até o fim da sua curta vida. Interpretação que, sem dúvida, ainda será muito premiada [...]”.

A previsão acabou de ser confirmada. Ontem, Marion Cotillard foi galardoada - por sua interpretação em “La Môme” - com o Globo de Ouro 2008 de melhor atriz feminina no gênero musical. A Mídia francesa destaca em grandes títulos a premiação da atriz. A seguir, trecho de nota do "Le Monde" sobre a vitória de Marion Cotillard:

«Vue de Paris, la remise des 65es Golden Globe Awards à Los Angeles, dimanche 14 janvier, fait figure de triomphe pour le cinéma français : le trophée de la meilleure actrice dans une comédie ou un film musical est allé à Marion Cotillard, pour son interprétation d'Edith Piaf dans La Môme, d'Olivier Dahan.»

Como consequência da greve dos roteiristas, a cerimônia do Globo de Ouro limitou-se à designação dos premiados em uma entrevista coletiva. Essa greve ainda vai dar muito o que falar...

domingo, 13 de janeiro de 2008

"O ENGENHO DE ZÉ LINS" E A SEMANA DE BRASÍLIA

Não vou agora dizer, depois de morar há 22 anos em Brasília (com 66 meses de residência em Bruxelas), que ela é a cidade mais divertida do mundo (nem mesmo, do Brasil), que a atividade sócio-cultural é múltipla e que aqui o tédio mora ao lado e não dentro de casa. Não, não vou dizer. Confesso, porém, que a vida na Capital Federal já é bem melhor do que era no passado. As opções são as mais variadas, os bares continuam em constante e "assustador" crescimento, as discotecas também crescem no mesmo ritmo (eu é que "quase" já não as frequento mais), cinemas, tem em toda parte e de boa qualidade, tanto as salas, quanto as opções de filmes. Só o teatro é que precisa melhorar. Quanto aos restaurantes, sem dúvida de que alguns dos melhores que conheço (no Brasil e na vizinhança) estão aqui em Brasília (os preços são um pouco delirantes vis-à-vis o serviço).

Para confirmar o que digo, nada melhor do que relatar, a seguir, o que fiz nos últimos cinco dias.

Durante a semana, assisti a dois bons filmes, fui, no mesmo dia, a uma exposição razoável no Museu Nacional e ao habitual concerto da sinfônica de Brasília, no Teatro Carlos Santoro. Na sexta-feira, tomei alguns chopes em um bar novo da Asa Norte. No sábado, molhei os pés nas cachoeiras do Parque da Cidade, só para provar que quem é vacinado não precisa ter
pânico do mosquitinho da febre que amarela (e que está amarelando o Ministro da Saúde).

Hoje, depois de ir à Feira da Torre, almocei em um restaurante egípcio barato, bom e de fazer inveja aos melhores de Alexandria.

E mais, nos últimos cinco dias também trabalhei, e muito, li o mesmo que sempre leio e ainda estou com tempo para dizer o que fiz a quem quiser acessar o "Lugar do Souto" (a imaginação deve estar mesmo curta, pois o valor literário do tema é duvidoso).

Um dos filmes a que assisiti foi “Viajem a Darjeeling”, de Wes Anderson, que recomendo a todos e a todas apaixonado(a)s pela década de 1970. Ao filme, de iniciativa própria e sem apoio dos críticos, classifico de um revival pós-moderno. Comédia do século XXI, com tonalidades de finais do anos sessenta ou início da década de 1970. As cores escolhidas para os cenários (naturais), cuidadosamente fotografadas, são exuberantes e os contrastes do interior da Índia são deliciosa, cômica e respeitosamente transmitidos ao espectador. A modernidade dos diálogos, da ação e do próprio filme às vezes confunde os mais idosos, mas, por isso mesmo, é um bom exercício de memória e tônico rejuvenescente. Wes Anderson, mais uma vez, oferece ao seu fiel público a música certa na hora certa. A trama é simples, como o filme é simples. Recomendo.

Quinta-feira passada saí mais cedo do trabalho e fui assistir ao documentário “O Engenho de Zé Lins”, de Vladimir Carvalho, duplamente premiado no Festival de Brasília de 2006. A trajetória da vida do escritor José Lins do Rego, desde a sua Paraíba natal até o último dia no Rio de Janeiro, é traçada com maestria, sentimentalismo, saudade e humor por Vladimir Carvalho. A vida familiar, o drama da infância, os amigos do engenho, são objeto de depoimentos simples e despretensiosos, que se contrapõem aos testemunhos de amigos e colegas literários e acadêmicos, tais como Rachel de Queiroz, Carlos Heitor Cony, Ariano Suassuna (sensacional) e Thiago de Melo. Não me compete julgar os depoimentos, nem assumir posição contra ou a favor sobre cada testemunho, mas a escolha dos depoentes foi perfeita. Destaco a sutileza e o humor do depoimento de Ariano, para mim, um dos melhores momentos do documentário.

Ressalto, ainda, a participação do ator infantil que interpretou José Lins em “O Menino do Engenho (1965)”, de Walter Lima Filho, já com mais de 50 anos. A participação e o depoimento do ex-ator desnudam tristemente o que pode acontecer aos atores infantis, quando não apoiados e acompanhados na ressaca da embriaguez do sucesso. Ao documentário “O Engenho de Zé Lins” eu, além de recomendar, insisto que, quando estiver em cartaz em suas cidades, não deixem passar a oportunidade de o assistir.

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Notícias de “O Correio Braziliense” que fizeram o meu fim de semana bem menos entediante:

Após 17 dias com os portões trancados por suspeitas de foco do vírus da febre amarela, o Parque Nacional de Brasília, mais conhecido como Água Mineral, foi reaberto para a população neste domingo.

Exposição: Moradias transitórias – Novos Espaços da Contemporaneidade
A mobilidade de certos tipos de moradia e o conceito de escape, trabalhado por arquitetos, designers e artistas plásticos em 11 instalações.
Local: Museu Nacional Honestino Guimarães - Complexo Cultural da República - Esplanada dos Ministérios –

Sucesso também na moda - O novo modelo masculino da Gucci (Gucci Boy) é brasileiro. Rômulo Pires é de Brasília, tem 22 anos, 1,87m, ex-mecânico na cidade satélite de Samambáia e foi "descoberto" por um "olheiro" em um dos muitos shoppings de Brasília.

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E mais: Blocos prometem reunir 150 mil pessoas no carnaval do Plano Piloto.
Quem foi que disse que o mosquitinho atrapalha e que Brasília não é divertida?

sábado, 12 de janeiro de 2008

PAR DÉLICATESSE J'AI PERDU MA VIE


Arthur Rimbaud, o mais influente dos simbolistas franceses, escreveu toda a magistral obra antes de completar 20 anos. Arquétipo dos poetas malditos, aventureiro, sonhador, curioso, contestador, gênio desesperado, amante apaixonado, criança precoce, jovem incompreendido, homem criticado. Bem mais do que todos esses adjetivos são capazes de exprimir, ele foi um artista da palavra, um artesão psicológico dos sentimentos humanos expressos nessas palavras. Rimbaud foi um sonhador que viu todos os sonhos transformarem-se em pesadelos e um amante ardente tantas vezes agredido pelo objeto do amor. Simples nos sentimentos, Arthur amava e pronto!

O "Lugar do Souto" irá sempre lembrar Arthur Rimbaud - que viveu ontem, mas que poderia ter vivido hoje e que viverá sempre enquanto emoção humana houver. Os seus "gritos de desespero em forma de poema" constituirão o tema de uma ou outra postagem, forma simplória de homenagear ao POETA.

C'est donc avec ta permission, jeune Arthur – grand Rimbaud -, que je te fais cadeau d’une de tes plus belles «chansons»:

"
Chanson de la plus haute tour

Oisive jeunesse
A tout asservie,
Par délicatesse
J'ai perdu ma vie.
Ah ! Que le temps vienne
Où les cœurs s'éprennent.

Je me suis dit : laisse,
Et qu'on ne te voie :

Et sans la promesse
De plus hautes joies.
Que rien ne t'arrête,
Auguste retraite.


J'ai tant fait patience
Qu'à jamais j'oublie ;,

Craintes et souffrances
Aux cieux sont parties.
Et la soif malsaine
Obscurcit mes veines.

Ainsi la prairie
A l'oubli livrée,
Grandie, et fleurie
D'encens et d'ivraies
Au bourdon farouche
De cent sales mouches.

Ah ! Mille veuvages
De la si pauvre âme

Qui n'a que l'image
De la Notre-Dame !
Est-ce que l'on prie
La Vierge Marie ?

Oisive jeunesse
A tout asservie,
Par délicatesse
J'ai perdu ma vie.
Ah ! Que le temps vienne
Où les coeurs s'éprennent !"


A. Rimbaud.