domingo, 2 de maio de 2010

MULHERES CHEFES DE ESTADO NO BRASIL

                                                                   
Neste domingo à noite, aqui em Bruxelas, resolvi retomar o hábito de postar uma crônica sobre algum tema de meu interesse e que, principalmente, possa interessar aos leitores do "Lugar do Souto". Dediquei-me à pesquisa das mulheres que já foram Chefes de Estado no Brasil e é sobre elas que irei discorrer.


Para quem  ainda não sabia, já tivemos sim mulheres na chefia dos destinos do Brasil, tendo, duas delas pelo menos, exercido grande liderança e tomado algumas das decisões mais importantes da história do País. Até hoje, as nossas Chefes de Estado foram apenas três, a Rainha Dona Maria I, a Imperatriz Dona Leopoldina e a Princesa Regente Dona Isabel, todas, como é óbvio, durante a Monarquia, tanto no período do Reino Unido, quanto no do Império do Brasil.

Dona Maria I, a Piedosa. 

Dona Maria Francisca nasceu em Lisboa no ano de 1734 e era a primogênita do Rei de Portugal Dom José I, que teve quatro filhas e nenhum filho varão. Dona Maria usou, primeiramente, o título de Princesa da Beira e, depois da ascensão de seu pai ao trono, passou a ser chamada de Princesa do Brasil. Mesmo que o reinado tenha durado até sua morte, em 1816, Dona Maria I só exerceu, de fato, a chefia de Estado por quinze anos (1777-1792), porque, depois de ter sido acometida de doença mental, seu filho, o Príncipe Dom João (futuro Dom João VI), passou a exercer a regência do Reino Unido do Brasil e Portugal. 

Dona Maria I foi a primeira mulher Chefe do Estado no Brasil, embora, na época, nosso país estivesse  ligado a Portugal como Reino Unido. É sabido o interesse de Dona Maria I pelo bem-estar do Brasil distante e, nesse sentido, criou várias instituições de caridade no período do seu reinado.

Imperatriz Dona Leopoldina.

A princesa austríaca Leopoldina de Habsburgo chegou ao Brasil em 1817, já esposa do Príncipe Dom Pedro, com quem tinha casado por procuração e, embora enfrentando grandes dificuldades, tudo fez para se adaptar aos hábitos do nosso país e da Corte da Casa de Bragança. Aos poucos, a princesa aprendeu a amar e a respeitar o Brasil, tornando-se uma das figuras mais importantes da nossa independência. 

Estando iminente o início de uma guerra civil separatista na Província de São Paulo, antes de partir para lá, o Príncipe Regente Dom Pedro, no dia 13 de agosto de 1822, passou o poder a Dona Leopoldina, com o cargo de Chefe do Conselho de Estado e Princesa Regente Interina do Brasil. Tendo recebido informações de que Portugal preparava uma ação contra o Brasil, na impossibilidade de aguardar o retorno de Dom Pedro, a princesa, na manhã de 2 de setembro de 1822, na qualidade de Chefe Interina do Governo, reuniu-se com o Conselho de Estado e assinou o Decreto da Independência, que declarava o Brasil separado de Portugal. Na carta enviada ao marido, ela disse a célebre frase: "O pomo está maduro, colhe-o já, senão apodrece". 

Dona Leopoldina foi coroada imperatriz a 1º de dezembro de 1822, na mesma cerimônia de coroação e sagração de Dom Pedro I. Inúmeras foram as ações da Imperatriz Dona Leopoldina em favor da  nação brasileira que nascia, visitando repartições públicas, inspecionando as alfândegas, os hospitais e outros locais de interesse da população, sempre procurando melhorar os serviços.  É a essa grande mulher, quando Chefe de Estado, que devemos a assinatura do Decreto da Independência. 

Princesa Dona Isabel.
Na segunda metade do século XIX, uma outra mulher, neta da Imperatriz Dona Leopoldina e trineta da Rainha Dona Maria I, assumiu algumas vezes a chefia do Estado brasileiro. Refiro-me à Princesa Dona Isabel Cristina de Bragança, química de formação e primeira senadora do Brasil.

Por três vezes a Princesa Isabel foi regente do País, praticando inúmeros atos na qualidade de Chefe de Estado. Na última regência, a 13 de maio de 1888, a princesa assinou o Decreto que aboliu a escravatura no Brasil, e que, provavelmente, foi um dos motivos da queda do Império. A convicção e determinação de Dona Isabel ultrapassaram os possíveis receios de não se tornar um dia Imperatriz e só esse ato já é o bastante para a colocar entre os nossos dirigentes mais corajosos e que tomaram importantes decisões em favor da melhoria de vida do povo brasileiro, abdicando do seu próprio interesse.

Como Chefe de Estado, na qualidade de Princesa Regente, Dona Isabel assinou o Decreto que modificou a nossa história, merecendo, sem dúvida, ainda que só De Jure, o título de Dona Isabel I, Imperatriz do Brasil.

Três momentos distintos  da história política do Brasil, em três épocas também diferentes. Três mulheres  que foram Chefes de Estado e três grandes dirigentes atuando em favor do nosso povo.  

Como elas, algum dia, outra haverá?

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

AS BARCAÇAS DE ANTIGAMENTE E A PINTURA DE MÁRIO NUNES



Para meu desalento, não sou crítico de arte, nem entendo das técnicas da pintura, sinto-me, apenas, atraído por um determinado pintor ou  por um quadro, passando, então, a ser fiel admirador da obra daquele artista ou de algumas telas em particular.

No dia 8 de novembro de 2008 postei uma crônica  sobre um pintor recifense, cuja obra sempre me agradou, Mário Nunes. Nessa postagem, citei o fato de ter passado a minha infância, adolescência e parte da juventude admirando um quadro que os meus pais tinham em nossa casa da Rua do Cupim.  A casa já foi demolida, o quadro, porém, permanece comigo e, ainda hoje, passo alguns momentos de solidão admirando as cores do Mestre Mário Nunes e a visão de um Recife que não existe mais: barcaças ancoradas nos cais de Santa Rita ou no cais do Apolo.
Na minha infância, entre os muitos passeios em família, um dos  que mais me agradava era quando íamos ao cais de Santa Rita, só para ver a ponte Giratória abrir e fechar e as barcaças, lânguidas e monumentais, passarem tranquilamente rumo à murada do cais. Na minha imaginação infantil, as barcaças eram verdadeiras caravelas de séculos passados, transportando povos bizarros e mercadorias exóticas.

Quando uma delas despontava lá longe no mar, rumo à ponte que  dava o sinal de que iria girar, eu sentia, na minha alucinação de criança, o cheiro de cravo-da-índia, de pimenta ou de cuminho,  ouvia uma música desconhecida que tocava ritmos das mil e uma noites, e até enxergava piratas de perna de pau. Pobres barcaças do meu Recife! Naquela época, meados do século XX, quando muito  elas transportavam parcos sacos de açúcar e passageiros menos favorecidos socialmente,  que vinham de alguma cidade do litoral pernambucano tentar a sorte na capital.

Mas que as barcaças eram imponentes e belas, sem dúvida que eram, e que tinham cheiro de especiarias, lá isso tinham!

Não sei se Mário Nunes retratou muitas barcaças. Para meu gáudio, porém, ao menos uma eu sei que ele pintou e, há muito anos, é essa tela que ainda me faz sentir os cheiros do Oriente e ouvir o vozerio dos mercados de uma Arábia longínqua. Obrigado por isso também, Mestre Mário Nunes!
Há alguns dias recebi um comentário sobre a  postagem de 8 de novembro de 2008 e o comentarista destaca o abandono e o esquecimento do Mestre por parte de nossas autoridades. Endosso e agradeço o comentário e, mais uma vez, reforço o apelo anteriormente feito para que as nossas autoridades não esqueçam o que temos de bom, não só na pintura, mas em muitas outras artes. Apelo para que promovam os grandes mestres do passado, porque com isso todos nós, que amamos a cidade do Recife, o Estado de Pernambuco, só teremos a ganhar.

Se as barcaças e tantos outros "momentos", fatos ou paisagens do Recife já não existem mais, que se mostre às novas gerações como era a nossa cidade no passado, não só nos postais que, felizmente, ainda existem, mas também pela arte dos mestres que retrataram épocas distantes.

sábado, 23 de janeiro de 2010

SAUDADE DO PARQUE AMORIM COM FEIRA E COM PEIXE-BOI *



A madrugada de ontem ainda ia a meio quando acordei, e perdi o sono. Comecei, então, relembrando o tempo em que a atual "Praça do Parque Amorim," na cidade do Recife, era um grande  parque, com árvores, muita sombra e tudo aquilo a que um parque tinha (e tem) direito, inclusive um lago com peixe-boi e uma prosaica feira semanal, que ocorria, se não me engano, às quartas-feiras (por favor, não me peçam agora para discorrer sobre papa-figos, porque não o farei. Mais adiante, narrarei a minha experiência...).
 
Quando eu era criança, o que restava do parque Amorim já não tinha muito a ver com o que ele havia sido nas três primeiras décadas do século passado. Embora eu não o tivesse conhecido em sua época áurea, sabia da sua beleza, contada por meus pais. No início da década de 1950, o peixe-boi ainda estava lá, disso eu lembro bem, grande, tranquilo, sempre faminto e sem se importar muito com os olhares das pessoas que insistiam em jogar no lago alimentos que só faziam mal ao pobre mamífero. Na realidade, era mais um tanque sujo do que um lago digno de um peixe-boi. Lembro ainda da brisa fresca que vinha da distante Olinda e das amplas sombras  existentes no parque, devido às frondosas  copas das árvores, que não sei mais quais eram. 

De inicio, íamos à feira pela manhã, bem cedinho. Eu seguia feliz, sempre de mãos dadas com a  minha mãe, ao lado de Maria, o nosso "Anjo da Guarda". Antes mesmo de chegarmos ao Parque Amorim já se contratava  um carregador que, com um enorme balaio à cabeça, passava a ser a nossa "sombra", até estarmos de novo em casa.  Como eu gostava do odor das frutas frescas, do cheiro acre das especiarias e da textura do fumo  de rolo! Sempre comprávamos fumo para oferecer à lavadeira, de nome também Maria, filha de escravos, gorda, austera e que eu acreditava estar perto dos cem anos. 
 
Passado algum tempo, não sei por qual razão, começamos a fazer a feira à noite e  íamos no carro do meu pai. Eu não gostava tanto dessas idas que, além de terem tirado o prazer do passeio a pé, me amedrontavam mais do que quando íamos durante a manhã. A essa altura, eu já sabia das assustadoras histórias do Parque Amorim.


No século XIX, havia naquele local um palacete neoclássico localizado, isolado e misterioso, dentro do enorme Sítio da Cruz, pertencente à família Amorim. No século seguinte, tudo se desfez e o sítio tornou-se um parque público, o Parque Amorim, nome derivado daquele da família que ali vivera. Rezava a lenda que qualquer criancinha que saltasse o muro do Sítio da Cruz serviria de banquete a um morador do palacete que, sabe-se lá porquê, não resistia a um fígado bem tenrinho. Rezava também a lenda que esse morador, mesmo depois de não mais existirem a casa e o sítio, continuava, em noites de lua cheia,  a perambular pelo Parque Amorim (chegamos à história do papa-figo, que até hoje ainda consegue me arrepiar).


Uma noite, enquanto os meus pais faziam a feira, parei para olhar o peixe-boi e esqueci deles e do tempo. De repente, sinto alguém muito perto de mim. Olhei para o lado e vi um homem vestido com uma casaca preta desbotada e com manchas avermelhadas, que pareciam ser respingo de um dos bolsos. O seu rosto era muito pálido,  tinha grandes orelhas e olhos sem brilho. Senti um frio no pescoço. Era ele que o tocava suavemente. Quando o homem já estava prestes a me agarrar com dedos ossudos e unhas descomunais, soltei a voz e gritei, gritei  muito, gritei tão alto que acordei... Constatei, então, a preocupação de meus pais querendo saber o que se passava no banco traseiro do nosso Ford 39 e porque eu acordara gritando daquele jeito. Que alívio! Estávamos quase em casa, sem nenhum sinal de papa-figo, de lobisomem, ou de sei lá o quê.   Se ele alguma vez ele existira, tinha sido no meu sonho e tinha ficado para sempre no Parque Amorim.

De repente, na madrugada passada, eu senti uma vontade enorme de voltar ao Parque Amorim, não à praça de hoje em dia, mas àquele parque do peixe-boi e da feira. Que vontade de poder sentir de novo a suave mão gelada do papa-figo segurando  ternamente o meu pescoço! Infelizmente, nos tempos que correm, se eu voltar à noite ao Parque Amorim, mesmo com  a fonte luminosa que nele foi instalada, a única sensação gelada que poderei sentir no pescoço será o frio da arma de um assaltante, ameaçando-me com rispidez,  sem casaca preta, sem suavidade e sem o charme dos papa-figos, vampiros da minha infância.

Que pena! Sem dúvida que eu preferia que por lá ainda circulassem papa-figos, lobisomens, vampiros ou outras assombrações!
 
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* As fotos postadas nesta crônica estavam disponíveis na Internet, mas foram retiradas inexplicadamente.

sábado, 16 de janeiro de 2010

CE FUT AU TEMPS OÙ MIHAIL CHANTA



"Est-ce que tu te souviens, Mihail, du temps où tu chantas?
Moi, si, je m'en souviens!
Tu fus un petit enfant au temps où tu chantas,
Mais tu fus heureux, malgré tout ton malheur!
Tu te crus le rossignol de l'Est,
Quand tu ne fus que le rossignol du Delta.



Est-ce que tu te souviens quand, à la fin de la journée,
Ta maman  t'appela: Jonut, Jonut?
Tu te sentis donc tranquille là-bas,
Parce qu'à part d'être Mihail, le rossignol danubien,
Tu fus aussi le petit Jonut de ta maman!
Ah, qu'il fut beau le temps où tu chantas dans un roumain d'enfant!


À Braila tu fus né mais le Delta fut ton berceau!
Berceau ingrat qui n'a pas sut faire de son petit rossignol
Le grand aigle de l'avenir!
Pourquoi tu ne chante plus, petit Jonut,
car nous savons que les aigles peuvent  aussi chanter?
Qu'a tu donc fait de ton chant, de ton sourire?


Le temps et les eaux du Danube passent vite, tu le sais,
Au moins, tu t'en dois croire!
Alors, malgré toutes les ingratitudes te ta vie adulte,
Je t'ordonne, cher rossignol,
De ne pas oublier les chansons que tu portes au coeur,
Chansons d'enfance, chansons roumaines, chansons d'espoir.



Chante donc Mihail, chante Jonut!
Chante Mihail Jonut Dilbea,
Chante ami lointain,
Chante pour ne pas oublier - toi et moi -
Que le petit rossignol du Delta
Saurait aussi chanter les chansons des aigles."

Auguste Tièle

Auguste Tièle é um poeta desconhecido, que encontrei ao acaso nos alfarrábios do já citado pasquim chamado "Memória". Tièle desconhece regras e métricas, mas  me encantou com os seus versos, em um francês também bizarro, no qual canta as dores do seu coração. Não sei se o pretenso poeta é francês (duvido), romeno ou mesmo brasileiro. Esta última hipótese baseia-se no fato de que os seus poemas publicavam-se no "Memória", na cidade do Recife, na década de 1930, sob as custas da Editora "Imaginação".

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL


As comemorações do Natal são um dos maiores símbolos da nossa cultura cristã e da identidade dos nossos povos. Pouco importa se as comemorações decorrem no frio do hemisfério norte ou no calor do hemisfério sul, o que interessa é o espírito de congregação que une a todos.

Comemorar o natal é, para o cristianismo, comemorar a mensagem de Jesus de Nazaré, o Cristo teológico. Celebremos todos, portanto, a Sua Mensagem.

Feliz Natal neste ano de 2009 são os desejos do blogue Lugar do Souto.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

"NOITE DE BLACK-TIE" OU "VOCÊ FAZ O SHOW"?



Como era bom o tempo de "antigamente"...!  O tempo em que viver era bem mais calmo, mais alegre, mais simples, portanto, mais feliz.

O tema de hoje nos remete para o mês de junho de 1960, quando a cidade do Recife viveu um dos seus grandes momentos devido à inauguração da primeira emissora de televisão local, um canal todinho nosso: a TV Jornal do Commércio, Canal 2. O progresso chegava aos lares pernambucanos dentro daquelas "caixinhas" mágicas.

Ainda que poucos meses antes a TV Rádio Clube - Canal 6 tivesse iniciado a sua programação em caráter experimental, o grande boom de 1960 foi, sem dúvida, a inauguração do Canal 2. Os leitores mais novos nunca conseguirão entender que um dos passeios favoritos de muitas famílias recifenses, após à inauguração dessa emissora, fosse ir à  esquecida Rua do Lima só para apreciar o moderníssimo prédio da TV Jornal do Commércio, parar à frente da porta principal e sentir o cheirinho gostoso de ar-condicionado que vinha de dentro do edifício. Mais modernismo não podia haver! Sem entrar em discussões técnicas, ou de qualquer outra ordem, o fato é que a "Jornal do Commércio" conquistou, de imediato, a preferência dos telespectadores, entre os quais a maioria ainda eram "televizinhos" (como se chamava naquele tempo a quem ainda não tinha um aparelho em casa).

No mesmo ano de 1960 foram, também, lançados dois programas de auditório que iriam preencher as noites dos fins-de-semanas de quase todos os pernambucanos. Aos sábados, "Noite de Black-tie" e aos domingos, "Você Faz o Show" eram transmitidos com grande sucesso e ambos ao vivo. Naquele tempo, as emissoras ainda não viviam a obsessão dos cruéis números do Ibope e os dois programas favoritos  do público eram exibidos em dias diferentes e pela mesma emissora. Mesmo assim, o recifense tinha as suas opções. Para alguns, "Noite de Black-tie", apresentado por Luís Geraldo e (se a memória não me falha) Violeta Botelho (seria Marilene Silva?) era de melhor qualidade, mais elitista nos seus quadros, com músicas mais seletas. Já para outros, "Você Faz o Show", comandado por Fernando Castelão (assessorado durante bastante tempo por Floriza Rossi) era o melhor dos dois programas. Os dois tiveram a virtude de agregarem o gosto dos pernambucanos por programas que não eram importados de outras regiões do país.

Não bastava, porém, reunir a família e os vizinhos que ainda não tinham televisor, sentar em silêncio e às escuras à frente da tv e apreciar os programas, era essencial, ao menos uma vez, ter ido ao auditório da Rua do Lima, de traje social completo, acompanhar e participar de um deles. Ainda lembro de quando fui pela primeira vez ao auditório do Canal 2 assistir ao "Noite de Black-tie". O alvoroço começou na segunda-feira que antecedia ao programa, quando eu e uma amiga, nossa vizinha, enfrentamos uma fila de quase duas horas para comprar as "entradas". O grupo para a "aventura" do sábado era de quase dez pessoas e, durante a semana, não se falou noutra coisa a não ser na programação que iríamos assistir. Quem iria ganhar o concurso de twist? Quais seriam os sucessos que Nel blue e Marcos Aguiar (o famoso Paco) iriam cantar? Quem (ou quais)  seriam as "surpresas" que viriam do Sul? Todos esses questionamentos eram assuntos exclusivos de nossas conversas. Bons tempos, em que não tínhamos outras preocupações.

Chegou o dia tão ansiado e partimos em comitiva com o coração saltando para fora do peito, tanta era a emoção. Passaram-se já muitos anos, muitas emoções foram também passadas, a televisão evoluiu, o mundo evoluiu e a saudade daquela época chegou. Não me classifico como um homem nostálgico mas, sem dúvida, sou saudosista, ainda que conformado. Estar no ano de 2009, acompanhar o mundo atual, viver sempre em contato com a evolução tecnológica não significa esquecer dos momentos bons do passado, da simplicidade da vida no meu querido Recife, da tranquilidade de poder tirar uma soneca à sombra de uma árvore do fruta-pão, de ir à Rua do Lima sem medo de ser assaltado no caminho. Confesso que sinto muita saudade, mas estou conformado.

E a pergunta fica no ar: Qual o melhor programa, "Noite de Black-tie" ou "Você faz o Show"?

sábado, 28 de novembro de 2009

QUEM LEMBRA DE LUZ MARINA?



Um dia desses, aqui mesmo em Brasília, quando eu estava sentado na minha poltrona favorita, meio dormindo, meio acordado, imagens de um tempo distante vieram-me tão vivas à memória que, até agora, não sei se sonhei ou se, de olhos abertos, recordei uma época que me foi cara. Uma lágrima furtiva que, discretamente, tive de enxugar me faz pensar que não foi sonho, mas sim a saudade que, naquela hora crepuscular, bateu no meu coração. Lembrei do tempo em que eu era criança e feliz, mesmo sem saber, porque as criança são felizes não o sabendo que são. 


Para mim, àquela época, o mundo  e a felicidade estavam resumidos à casa dos meus pais ("minha casa", porque toda criança é egoísta, também sem o saber)  e ao Recife ("minha cidade" e a de mais ninguém).  As lembranças que assomaram ao meu pensamento conseguiram transportar-me da poltrona em que estava para o  ano em que morreu um papa e escolheram outro, este, contrariamente ao predecessor, de rosto largo, olhar curioso, sorriso aberto e que, meio século depois, já ocupa os altares, como Bem-Aventurado.  

Fui transportado para o ano em que o Sport  ganhou o campeonato pernambucano de futebol, em que Hermeto Pascoal deixou o Recife e foi para o Rio de Janeiro e em que Hermilo Borba Filho fundou o Teatro Popular do Nordeste, o famoso TPN que, anos mais tarde, acolheu tantas paixões e seduções. As minhas lembranças voaram para 1958, ano do nascimento de Gil Vicente, que se tornou pintor e famoso e da inauguração do Aeroporto dos Guararapes, que passou a substituir o passeio que sempre fazíamos, aos domingos, ao cais do porto. 



Em 1958 os adolescentes  flertavam nos "Encontros de Brotos", tão ansiados por mim (só mais tarde é que os comecei frequentando) e Sônia Maria Campos foi eleita Miss Pernambuco. Nas minhas lembranças, senti na face a mesma brisa morna que nos afagava nas noites passadas no Clube Português, enquanto assistíamos à equipe de hóquei da casa  ganhar a quase todos os jogos, graças à destreza nos patins e nos tacos de Eninho, Breno, Bonga e Amílcar, este último, orgulhosamente, meu irmão.  Mas o que é que todas essas lembranças do ano de 1958 têm a ver com o título desta postagem? 

Quem lembra de Luz Marina? Será, apenas, uma cor de batom? 
Não sei se alguém lembra de Luz Marina, mas eu lembro e muito. Lembro tanto que fui transportado para o ano de 1958, quando ela, que hoje é uma sóbria e pacata senhora de 71 anos de idade, foi eleita Miss Universo. Luz  Marina Zuluaga foi selo na sua Colômbia natal, foi famosa, linda e, anos mais tarde, foi até mãe de uma misse com pouca sorte no concurso. Hoje, porém,  poucos, muito poucos, lembram desse nome, nem mesmo como cor de batom. Poucas, também, são as pessoas que recordam do ano de 1958, mais um no ciclo da vida e na contagem gregoriana. Efêmero tempo, efêmeras pessoas.


Ainda que ninguém mais lembre de Luz Marina, aposto que Adalgisa Colombo ainda lembra, e com uma pitada de mágoa, até hoje. Mas quem foi Adalgisa Colombo? Bom, assim é demais, deixemos a resposta para outra ocasião!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

CET APRÈS-MIDI, À BRUXELLES, MALGRÉ LE BEAU TEMPS, UNE VISITE AU MUSÉE MAGRITTE S'IMPOSAIT!

Em todo os lugares por onde passo, percebe-se que alguma coisa está mudando no clima. Chove muito, onde não chovia, faz calor demasiado nos lugares de clima temperado, frio em terras quentes, e por aí vai. Em Bruxelas, não é diferente. Hoje, 19 de Novembro, está um dia lindíssimo e as folhas ainda não começaram a cair das árvores. Tempo estranho para esta época do ano e, nesta cidade com tantos parques agradáveis, um dia assim é uma tentação para belos passeios ao ar livre. Esta postagem, entretanto,  não pretende discorrer sobre ecologia, nem sobre as trágicas mudanças climatéricas, nem, também, sobre os parques de Bruxelas, mas sim sobre a agitada vida cultural da capital da Bélgica e da União Europeia. 
 
Como quase sempre, estou aqui em missão oficial, portanto, com muito trabalho, o que torna um "tormento", abrir os cadernos de cultura dos jornais locais e  deparar, por exemplo, com um concerto da mezzo-soprano Cecília Bartoli com todos os ingressos esgotados e, ainda, com inúmeros espetáculos e exibições no âmbito da Europalia China.  Museus com peças raras chinesas, apresentações da ópera de Pequim e uma infinidade de outras atividades, ligadas à milenar arte chinesa. Como ir a a um deles, ao menos, se a entrada é feita com hora marcada e com a compra ocorrida dias antes daquele da visita? É, de fato, uma tortura sem ter como dela escapar. Não deu para ir à Europalia, ao menos desta vez.
Decidi, então, que iria visitar o novo Musée Magritte Museum (com a palavra "museu" em francês e em neerlandês, como se escreve tudo em Bruxelas)*. O museu foi aberto ao público em Junho deste ano. Magritte é belga, natural da província do Hainaut, na Valônia, mas passou quase toda a sua vida em Bruxelas, onde morreu. Desde os primeiros encontros com os surrealistas belgas, passando depois ao contacto com os surrealistas franceses, a obra de Magritte revolucionou a pintura de um largo período da primeira metade do século XX.


O novo museu, situado na Place Royale, ocupa um edifício com 2.500 m2, pertencente aos "Musées royaux des Beaux-Arts de Belgique" e possui um acervo de mais de 200 obras do artista, óleos sobre tela, guaches, desenhos, esculturas, objetos pintados, partituras musicais, fotos e filmes dirigidos por René Magritte, para o deleite dos apaixonados por arte e, principalmente, pelo trabalho do mestre belga. Passei toda a tarde de hoje, e teria passado muito mais tempo, admirando os céus enevoados, as maravilhosas pombas, as figuras e os objetos resultado duma criação surrealista na sua verdadeira acepção, como só ele foi capaz de produzir.


Mas o Musée Magritte Museum não é o unico local em Bruxelas dedicado ao artista, existe outro museu, pequeno, sem grandes pretensões, com um encanto que há muitos anos me seduz. Refiro-me à casa de Magritte, na Rua Esseghem, onde podemos apreciar com com calma outras obras que ele nos deixou, expostas num dos seus últimos endereços na cidade. A não perder, igualmente.  A magia de Magritte, a sutileza dos seus quadros são um eterno deleite para quem visita Bruxelas. Difícil não gostar muito de estar aqui .
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*Todas as fotos das pinturas de Magritte estão disponíveis na Internet.


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

DO CORDEL E DOS CORDELEIROS


Postagem nº 100 deste "Lugar do Souto".

Para celebrar
a centésima crônica (ou arremedo disso), levando em conta que o dia 19 de Novembro é o dia do cordeleiro, resolvi antecipar-me à data e discorrer sobre uma forma popular de literatura que sempre me atraiu e que está intimamente ligada à minha vivência no Recife, cidade onde nasci.

A literatura de cordel, ou apenas, o cordel, é um gênero literário popular com raízes nacionais no Nordeste brasileiro, mas que tem, em pequena
proporção, se estendido a outras regiões. As origens do cordel são incertas, muito provavelmente remontando à Idade Média provençal ou até mesmo mais distante no passado, à Antiguidade Clássica da Europa mediterrânea. O que é considerado como real é que foram os portugueses que trouxeram para Brasil o gosto por cantar em forma rimada (muitas vezes, ao desafio), narrando em tom jocoso e com forte crítica social certos fatos que tenham sido marcantes na comunidade de quem os cantava. Os panfletos eram colocados em cordeis e vendidos nas feiras, daí a propagação da expressão "literatura de cordel".

Sempre tive espírito de colecionador e, quando j
ovem, comecei adquirindo folhetos de cordel cujos títulos me chamavam a atenção. De início, mantive-os abertos e pendurados em um cordel mas, com o aumento dos livretos, transferi a coleção para algumas caixas de sapato que, ao meu ver, continuam sendo o melhor "esconderijo" para se guardar preciosidades. Na época da coleção, os que mais me interessavam eram os de aparência tosca e demonstrando simplicidade, quer nas gravuras, quer na qualidade do papel (eu tinha por hábito só adquirir os de pior qualidade), impressos tal como haviam sido escritos, com o português incorreto e descuidado. O cordel foi criado para ser cantado, não para ser lido, portanto, esqueçamos o bom vernáculo se queremos um bom cordel. Perdi a vontade de colecionar folhetos de cordel e eles foram relegados ao esquecimento.

Em Maio deste ano, quando postei uma crônica sobre o mesmo tema ("Cordel do Maquilador Milagreiro"), disse aos leitores que quando não tenho muito o que fazer procuro as preciosas caixas de sapato e tiro, ao acaso, um folheto para ler. Hoje, em um momento de preguiça literária, busquei um "folhetinho" bem antigo, quase destruído pelo tempo e, por incrível que pareça, sem identificação do autor, portanto "de autor desconhecido". A rima é da pior qualidade, a métrica não existe no poema e o nosso idioma está grafado tal qual o autor devia cantar nas feiras do interior de Pernambuco. Tentei lembrar onde e quando comprara o folheto de sugestivo título, mas não lembrei. Acho, mas não estou certo, que foi na cidade de Sertânia, na qual o meu pai tinha uma fazenda (Maxixe), que visitei nos idos da década de 1960. Seja como for, transcrevo apenas os primeiros versos, porque os demais são muito "picantes" para que sejam publicados neste blogue. As imagens que ilustram o texto não são do cordel publicado e foram retiradas da Internet.


Peço aos mestres linguistas que perdoem as absurdas incorreções gramaticais (concordância, regência, sintaxe, grafia e muito mais) do desconhecido autor, mas foi esse primitivismo que me atraiu, além, é claro, do tema da traição e do sofrimento dos personagens título. A quem tiver paciência de ler estes antigos e populares versos, peço que tentem imaginar o tema sendo cantado numa época distante nas noites mornas e de luar do sertão pernambucano.

"A triste história de Zefinha, Sevé e o bombeiro Mené *


Quando Zefinha os cinquenta festejô
Era solteira, muito falada e cheia de calô.

Nesse dia de festa, uma amiga da vida a Sevé lhe apresentô.
Sabida como ela só, ao fagueiro rapaz a Zefa logo encantô.
Sevé era puro, inocente e bonito, ademais, namoradô.
A pureza era tanta que na virgindade da
noiva ele sempre acreditô.
E com Zefinha, um mês depois, Sevé cum grande festa casô.



Mais de dez anos se passô
E
muito amô entre os dois rolô.
O puro Sevé de tudo tentô,
Pr'á de Zef
a tirá o fogo desoladô.
Mas Zefinha nasc
eu torta e com muitos outros ela sempre errô,
E Sevé, coitado, até de casa mudô,

Mas o fogo da Zefa nunca apagô.

O bom rapaz, cansado de tanto calô,

Resolveu na rua muié mió procurá.
Zefinha endoidô, pois depois que a idade chegô,
Home como Sevé ela num vai mais encontrá.
Sem sabê o que fazê, gemendo de tanta dô,
Até um mac
umbeiro a Zefinha procurô.
E, milagre do milagreiro, com ela de novo o bom Sevé deitô.

Mas o capeta, que às muiés pecadoras num cessa de atentá,
Na casa da vizinho um grande fogo pegô,
Só pr'á cu
m isso de novo o pecado pr'á Zefa mostrá.
No meio da correria, muita água rolô,
Pr'os bom
beiros valentes o grande fogo apagá.
Excitada que nem mariposa, Zefinha corria fingindo querê ajudá.
Abre torneira, pega balde, um corajoso bombeiro o belo colo dela muiô,
E, braba como ela só, a véia raivosa logo a gritá começô.
Pelos gritos e pelo fogo, o bombeiro Mené logo viu da Zefa se tratá.

Amô velho nunca foi de se esquecê,
E Mené foi chamado pr'um café mais ela tomá.
Café puxa conversa e o bombeiro Mené à véia voltô a encantá.
No meio do encantamento,
Quando Mené o fogo tentava
abaixá,
Em casa
chegô Sevé e, cego com a traição,
De Zefinha tudo quebrô.

E até Mené apanhô.

A história ainda é longa e o drama de Zefa num acabô,
Pois pr'á zona ela voltô e o bombeiro Mené na casa dela ficô.
A casa que foi de Zefinha hoje é hospedaria,

E o garboso Sevé, mais o fogoso Mené, lá recebe as Marias,
Que, no desespero, o grande fogo querem apagá.

A Zefinha de tudo tentô, pr'á com um dois reatá,
Mas de nada adiantô,

Já que o formoso Sevé e o bombeiro Mené
Cum ela num querem mais nada,
Nem mesmo o grande fogo apagá.

..........................................................."

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*Texto de ficção e sem direitos autorais. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

ESPERADA MARCIANITA


Nunca fui um bom cantor, antes pelo contrário, já que as "virtudes" musicais não fazem parte dos meus dotes artísticos (se é que eu os tenho). Apesar disso, segundo relato dos meus familiares mais velhos, desde que comecei a balbuciar as primeiras palavras, eu comecei a cantar... e muito... Reza a lenda, que eu ainda mal falava e já gorjeava uma canção de sucesso chamada "Chinês Patchouli", ou algo parecido (ao menos, era esse nome que eu cantava). Com o passar do tempo, tornei-me um incontrolável cantor de chuveiro. E daí? A quem isso pode interessar? Acho que a ninguém, só a mim e às minhas memórias. O tempo, porém, continuou sua marcha inexorável e, com a chegada do Outono da vida, não consigo decorar as letras das canções modernas mas, para o meu deleite, comecei relembrando das letras que havia decorado na infância ou na adolescência. Quero deixar bem claro que não estou relatando o aparecimento de nenhuma doença senil, mas sim descrevendo a falta de interesse que tenho pela maioria das canções que atualmente fazem sucesso.


Por falar em esquecimento, antes de continuar esta postagem gostaria de fazer um parêntese no tema e, de público, penitenciar-me por um dos mais trágicos lapsus mentii dos últimos anos. Esqueci, no passado dia 25, o aniversário do querido amigo Fernando Augusto. Perdão, Fernando, mas foi graças à marcianita, título desta postagem e tão esperada por nós, que lembrei a data do seu natalício:25 de Outubro e não 28, como eu achava. PARABÉNS atrasados.
Voltando às músicas antigas e ao cantar no chuveiro. Esta manhã, para minha surpresa, comecei, durante o banho, cantarolando uma canção que fez grande sucesso há cerca de cinquenta anos e que, acho eu, não tem nenhum predicado, nem como letra, nem como música: "Esperada Marcianita". Ressalte-se, porém, que mesmo sem ser nenhum primor de peça musical, ela já foi gravada por alguns dos ícones do nosso cancioneiro mais recente. De minha parte, eu devia ter 12 ou 13 anos quando, rapidamente, aprendi a letra de Sérgio Murilo (creio que a letra é dele), talvez pelo fato de que tudo relacionado com o "espaço sideral", com outros mundos, com o desconhecido, fosse alvo das minhas fantasias juvenis. Quando eu cantava em alta voz que "os homens de ciência me asseguravam que em dez anos mais eu e a fictícia marcianita estaríamos bem juntinhos nos cantos escuros do céu falando de amor", o que os meus sonhos de pré-adolescente imaginavam era que eu poderia sair da terra, que fugiria de um mundo futuro (que eu já previa não iria me agradar), que iria para um espaço desconhecido e que lá encontraria um amor de folhetim, fosse esse amor de Marte, de Vênus ou de outro lugar qualquer. Talvez, já naquele tempo, na Terra eu fosse logrado e em matéria de amor eu sempre fosse passado para trás...




Surpreendente, também, é o fato de a letra de "Esperada Marcianita" ser politicamente correta numa época em que essa correção não era exigida do comportamento social, pois o objeto do amor (no caso, a filha de Marte) poderia ser branca, negra, gorduchinha, magrinha, baixinha ou gigante que, mesmo assim, seria muito amada. Lembro de que, mais ou menos no mesmo tempo do sucesso dessa canção (1959 - 1960), outra música fez grande sucesso no carnaval do Recife, mesmo tendo uma letra tão incorreta politicamente que prefiro nem lembrar. Deletei.


Quantas e quantas noites, eu e o Fernando Augusto ficamos na janela dos nossos quartos (ele, no Espinheiro e eu, nas Graças) olhando aquela "estrela" avermelhada, que nem estrela é, suspirando por um broto de Marte, no meu caso, que não se pintasse, não fumasse, nem sequer soubesse o que era rock n' roll, pois sempre fui conservador, no dele, porém, o brotinho poderia fazer tudo isso, ter tatuagens e até usar piercing, visto que, desde a infância, o meu amigo espinheirense sempre foi "moderninho". Chegou o ano 1970, e a marcianita não veio. Deixa pr'á lá, 2070 não está tão longe assim e aí, quem sabe, o esperado brotinho de Marte, montado no rabo de um cometa, finalmente chegue para nós e, então, possamos ser felizes para sempre.


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

SUA ALTEZA IMPERIAL E REAL DOM LUIZ DE ORLÉANS E BRAGANÇA - CHEFE DA CASA IMPERIAL DO BRASIL




No intuito de tornar as figuras ilustres do nosso país conhecidas do maior número possível de leitores, o blogue "Lugar do Souto" transcreve, a seguir - com o devido respeito por sua Augusta Pessoa -, a biografia daquele que é, desde 1981, o Chefe da Casa Imperial do Brasil, S.A.I.R. Dom Luiz de Orléans e Bragança.


Quando se fala em monarquia no Brasil, há uma tendência em pensar numa forma de governo estranha ao continente americano. A monarquia, porém, já existe no nosso continente, visto ser esse o regime político do Canadá. No Caribe, inúmeras são as nações que adotam a Monarquia Constitucional como regime. Restaurar, portanto, o regime monarquista no Brasil seria unir na mesma forma de governo os dois gigantes do continente, um ao norte e o outro, ao sul. Na Europa, a monarquia é a forma constitucional de países como a Espanha, Mônaco, Reino Unido (Inglaterra, Escócia e País de Gales), Bélgica, Luxemburgo, Liechtenstein, Holanda, Dinamarca, Suécia e Noruega. Na Ásia, citamos, apenas, o Japão e a Tailândia, sem esquecer, porém, a Austrália e a Nova Zelândia, e, na África, alguns países adotam a monarquia como o seu regime. Não seria, portanto, nenhuma surpresa ou novidade pensarmos em um Brasil monarquista (ou monárquico).


Todos sabemos que a História não é feita de hipóteses nem de condições, o "se", portanto, não faz História. Consciente do afirmado, gostaria, entretanto, de indicar que se o golpe republicano não tivesse ido à frente e se as circunstâncias dinásticas tivessem sido as mesmas, o Brasil teria tido, desde a independência até hoje, apenas, cinco Chefes de Estado: Dom Pedro I, Dom Pedro II, Dona Isabel I, Dom Pedro III e, atualmente, Dom Luiz I. Por outro lado, lanço aos leitores a seguinte pergunta: "Quem consegue dizer, sem muito pensar, o nome de todos os presidentes da vigente república?"


Não se pode negar que nos últimos cento e vinte anos muitos ilustres brasileiros tiveram destaque em nossa história, alguns até como presidentes republicanos, mas a continuidade da monarquia não os teria tolhido em sua carreira e, sem dúvida, eles e elas ter-se-iam destacado da mesma maneira, provavelmente, chefiando vários dos nossos governos constitucionais. Tal como ocorreu na república, também na monarquia muitos teriam sido os governos legitima e democraticamente eleitos pelo povo, mas permaneceria a incólume pessoa do monarca simbolizando a Nação brasileira. O monarca, desde o nascimento preparado para exercer as suas funções, estaria livre de muitos dissabores que atingiram alguns presidentes da história do Brasil. Todos os brasileiros, indígenas, afrodescendentes, de origem europeia ou asiática seriam representados pelo monarca, que simbolizaria a todos e a cada um, e não apenas a uma parte da Nação.


Dom Luiz Gastão de Orleans e Bragança é hoje a alma viva da Nação brasileira, correndo em suas veias o mesmo sangue que corria nas veias dos nossos primeiros Imperadores - Dom Pedro I e Dona Leopoldina -, e dos seus descendentes diretos, que marcaram de modo tão benéfico e heróico a História brasileira nos primórdios da nacionalidade. Todo o cidadão brasileiro tem a obrigação de respeitar a Família que, por seus atos de amor à Pátria no passado e pela marcada presença na sociedade atual, é a melhor imagem da identidade do nosso querido Brasil.




A fidelidade da família do autor deste blogue à Família do Senhor Dom Luiz remonta, com comprovação documental, há cerca de cento e oitenta anos, quando o meu tetravô, Capitão Antonino Severo de Abreu e Vasconcellos, natural do Lugar do Souto, Lanhoso, Portugal, defendeu em armas - sendo por isso alvo de várias prisões políticas - os ideais do Rei Dom Pedro IV de Portugal, Imperador Dom Pedro I do Brasil, Tetravô do Chefe da Casa Imperial do Brasil, cuja biografia transcrevemos nesta postagem. É, pois, como súdito fiel, que discorro sobre tão Distinto e Augusto Senhor.






"Dom Luiz Gastão de Orléans e Bragança é filho do Príncipe Dom Pedro Henrique de Orléans e Bragança
(1909-1981), admirável figura de brasileiro, chefe de família exemplar e, entre 1922 e 1981, de Jure, Dom Pedro III; neto de Dom Luiz de Orléans e Bragança (1878-1921), bisneto da Princesa Isabel (de Jure, Dona Isabel I, de 1891 a 1922), trineto de Dom Pedro II, tetraneto de Dom Pedro I, remontando a sua ascendência a Dom Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, a Hugo Capeto, que ascendeu ao trono da França há mais de mil anos e a muitos outros Reis e Imperadores, que todos conhecem dos estudos históricos. Descende, ainda, de São Nuno de Santa Maria (o Santo Condestável), de São Luiz, Rei da França e de outros Santos da Igreja Católica.
Dom Luiz nasceu em Mandelieu, na França, em 6 de junho de 1938, tendo sido registrado como cidadão brasileiro no Consulado Geral do Brasil em Paris. Ao terminar a Segunda Guerra Mundial (1945), veio para o Brasil em companhia dos pais e irmãos já nascidos, fixando residência no Paraná e, em seguida, no Rio de Janeiro, onde realizou os estudos secundários. Aperfeiçoou o idioma francês em estudos pré-universitários na cidade de Paris e concluiu a Faculdade de Química em Munique, Alemanha. Em 1967 voltou ao Brasil, com residência em São Paulo, onde mora com o irmão, Dom Bertrand, Príncipe Imperial do Brasil*.


Dom Luiz fala fluentemente, além do português, o francês e o alemão, tem bons conhecimentos do castelhano, inglês e italiano e é detentor de uma sólida cultura, especialmente nos assuntos históricos e sociológicos. O Chefe da Casa Imperial do Brasil é um homem atualizado com os problemas nacionais e internacionais, estando cotidianamente informado, como compete a quem tem por direito tão alto cargo, das questões políticas do nosso país e do estrangeiro. Seguindo, porém, o exemplo do seu Augusto Pai, Dom Luiz não interfere nos debates de interesses e paixões das grandes forças que dominam, nos dias atuais, a cena político-partidária do Brasil. Dom Luiz mantém atualizada e profícua correspondência com todos os que a Ele se dirigem, discutindo e opinando sobre os mais diversos assuntos. É Grão-Mestre da Ordem da Rosa e da Ordem Dom Pedro I. Detém, ainda, a Grã-Cruz da Ordem Constantiniana de São Jorge, da Casa Real Bourbon-Sicílias.".
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"Príncipe Imperial" é o título do herdeiro ao Trono Imperial do Brasil.