domingo, 23 de setembro de 2007

A RUA DO PADRE INGLÊS


Na apresentação da Coletânea “A rua do Padre Inglês”, de Everardo Norões, publicada na Coleção Guizos, da 7 Letras, Marco Lucchesi diz “[...] Sou amigo de Everardo, mas sou mais amigo de sua poesia. [...]” E a verdade dessa poesia me cobre de uma vasta emoção.[...]”

No dia dos meus sessenta anos, recebi “A rua do Padre Inglês” do autor, com uma dedicatória que, sutilmente, nos aproxima.

A rua do Padre Inglês - a rua mesmo, no bairro da Boa Vista, no Recife -, não o livro, povoava os meus pesadelos de infância, sempre a achei estranha, e o "estranho" me assustava. Era a única rua que, de repente, mudava de rumo, que tinha uma "curva" ao meio, e aquela mudança de sentido fugia ao meu senso infantil. Lembro bem de que ela tinha (creio que ainda tem) o muro do Sanatório Recife de um lado e, do outro, sem dúvida, tinha casas, que nas minhas lembranças não eram todas de frente para a rua, havia algumas que eram de lado (ou será que essa lembrança que tenho é mais uma fantasia da mente?).
Da rua do Padre Inglês, ou melhor, de quem nela morava, seguirá a minha descendência, ainda que indireta. Curioso!

Lendo o livro de Everardo, senti-me, eu também, coberto de uma vasta emoção com a sua verdade, e lembrei que a rua do Padre Inglês - título de um poema e da coletânea -, e a rua do cupim, onde nasci, têm várias semelhanças (ambas devem ser importantes, pois já serviram de título para contos e poemas).

Ainda que os morcegos de Everardo, que dão título a um dos poemas do livro, não sejam, certamente, os que voavam pelos quintais da rua do padre inglês, lembrei dos morcegos do meu quintal, que eu "eliminava", ferozmente, com uma vara em constante movimento. Pelo menos, os morcegos das duas ruas eram iguais.

Os Morcegos

São eles
que me anunciam a noite.
O roçar das asas
não me assusta.
São falas interditas,
lâminas de febre
que me asomam a garganta.
São eles que me enredam
com rastros de cinza
a bordarem, no ar,
as letras do Teu nome.
E me alinhavam
com fios de escuro,
enquanto o dia se despede
nos batentes da chuva.”
Everardo Norões

Mas, resta a pergunta da qual não sei a resposta, “Quem era esse padre inglês que deu nome à rua?”

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